O Tribunal de Coimbra julga na segunda-feira um homem suspeito de burlar pessoas em “sites” como o OLX com anúncios de Iphone, num processo em que é pedida uma perda a favor do Estado de 175 mil euros.

O homem de 51 anos, aposentado por invalidez e a viver no concelho de Coimbra, é suspeito de ter burlado dez pessoas, a sua maioria no site OLX, com anúncios falsos de venda de telemóveis Iphone usados, e tentado burlar pelo menos mais duas, refere a acusação a que a agência Lusa teve acesso.

Para além dos casos presentes no processo que chega agora ao Tribunal de Coimbra, o Ministério Público (MP) recorda que o arguido já foi condenado em três processos a pena de multa por burla simples em Braga, Leiria e Vila Franca de Xira, contou com a suspensão provisória noutros dois e ainda foi arguido em 11 inquéritos em que houve desistência de queixa na sequência do pagamento do valor apropriado.

Em todos os processos está em causa um sistema de anúncios falsos de venda de Iphone que o arguido é suspeito de ter criado, recebendo a quantia total ou uma parte desta por parte dos interessados, sem nunca chegar a enviar o produto.

O arguido, “aproveitando-se do anonimato que a Internet proporciona”, inscreveu-se em sítios da Internet como o OLX ou Custo Justo, onde são anunciados produtos para compra, venda e permuta.

De acordo com o Ministério Público, nesses “sites”, com especial incidência no OLX, o suspeito introduzia anúncios de venda de telemóveis Iphone usados, propondo sempre que o interessado pagasse metade ou o valor total do produto, antes do envio para a sua morada.

Com um endereço eletrónico associado a outro nome (por vezes fazia-se passar por uma mulher), o arguido solicitava que o envio do dinheiro fosse feito através de referências para pagamento de serviço em empresas especializadas da área, com o intuito de encobrir a sua identidade, não divulgando a sua conta bancária.

Os valores de que se apropriava variavam entre os 100 e os 250 euros, sendo que no processo estão duas pessoas que suspeitaram que o negócio fosse um burla e acabaram por não concretizar qualquer pagamento.

Ao todo, no processo são apenas contabilizados 1.455 euros de que o arguido se apropriou com as alegadas burlas, mas o Ministério Público identificou nas suas contas 175 mil euros “cuja origem não é compatível com rendimentos lícitos e fiscalmente comprovados”, pedindo que essa quantia seja declarada perdida a favor do Estado.

O arguido é acusado de dez crimes de burla qualificada na forma consumada, dois crimes de burla na forma tentada e um crime de branqueamento. O julgamento começa na segunda-feira às 9h30.