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A lógica de Bruno é tudo menos da Tabata – embora chegue com golos babacas (a crónica do Portimonense-Marítimo) /premium

Ninguém queria perder, Portimonense quis mais ganhar e Marítimo não resistiu a tantos golos estranhos, perdendo no Algarve (3-2) frente a uma equipa com fé que teve em Bruno Tabata o grande destaque.

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Bruno Tabata marcou o primeiro golo, esteve no lance do segundo e foi um dos melhores do Portimonense frente ao Marítimo

Bruno Tabata marcou o primeiro golo, esteve no lance do segundo e foi um dos melhores do Portimonense frente ao Marítimo

Quando ganhou no final de novembro à equipa revelação do Campeonato, o Famalicão, o Portimonense não ficou propriamente numa situação desafogada mas colocou-se com três pontos de vantagem em relação aos lugares de descida. No entanto, começava aí um autêntico descalabro desportivo de um projeto que até dava sinais de poder dar o salto para outros patamares desportivos, com cinco empates e oito derrotas que deixavam os algarvios no 17.º lugar e em posição muito complicada na luta pela permanência. Mudou o treinador, mudaram alguns jogadores, mudou até a ideia de jogo. Tudo menos os resultados. Mas a retoma trazia ainda alguma esperança.

O triunfo frente ao Gil Vicente, no encontro que assinalou o regresso da Primeira Liga a 3 de junho, quebrou um longo jejum de 186 dias sem vitórias no Campeonato. Seguiu-se um empate na receção ao Benfica revertendo uma desvantagem de dois golos que vinha do intervalo e mais uma igualdade na Cidade do Futebol, com o Santa Clara – neste caso mais consentido, com o 1-1 a surgir com os açorianos reduzidos a dez e sem grandes oportunidades para forçaram esse golo. Ainda assim, e contas feitas, se a equipa fez 0.67 pontos em média nas 24 primeiras jornadas, agora estava com uma média de 1.67. Uma média que, no limite, aplicada de forma completamente matemática, colocava o Portimonense a lutar pelos lugares europeus. O tempo não volta para trás mas os algarvios estavam a tentar correr para a frente numa fuga contra o tempo. Esta segunda-feira havia prova decisiva.

“Face à sequência de resultados da última jornada é um jogo muito, muito importante para nós e os jogadores são conhecedores dessa realidade. É nossa obrigação fazer tudo para somar os três pontos”, destacou no lançamento do jogo o técnico Paulo Sérgio, falando não só do empate com o Santa Clara mas também das vitórias do Marítimo com o Gil Vicente e do P. Ferreira com o Belenenses SAD. “A minha preocupação é que os jogadores não percam o foco, independentemente de alguns acontecimentos que nos penalizaram bastante. O nosso trabalho é não deixar que eles percam a concentração e que também não encontrem justificação só por aí, porque, como disse, acho que poderíamos ter feito melhor”, acrescentou, abordando também o penálti assinalado a Gonda.

Ou vai ou Rashid, um capitão para toda a obra (a crónica do Santa Clara-Portimonense)

Do outro lado, o Marítimo não tinha um percurso muito diferente apesar da vantagem pontual no Campeonato em relação aos algarvios, com três derrotas consecutivas antes da paragem por causa da pandemia e apenas um triunfo em nove encontros desde a 16.ª jornada. E até fez menos pontos nas três partidas após a retoma, com um triunfo e um empate em casa com Gil Vicente e V. Setúbal e uma derrota no Dragão. No entanto, jogava mais, jogava melhor e jogava para lutas diferentes do que a permanência a que os insulares se foram habituando. “Atendendo à nossa classificação, não podemos fugir à questão de este resultado ter um peso maior, porque o Portimonense está na zona de descida e, ganhando, aumentaríamos a distância para essa posição. Portanto, tem um valor acrescido”, defendeu José Gomes, no lançamento da partida que podia deixar o Portimonense a quatro, sete ou dez pontos.

Charles, de Charlot a estrela de cinema num penálti (a crónica do Marítimo-Gil Vicente)

Se era um jogo decisivo para ambos, só pareceu mesmo para uma equipa. E para uma equipa que personificou o que o líder da sua SAD, Theodoro Fonseca, manifestou menos de três horas antes do encontro numa entrevista à SIC onde aproveitou para esclarecer a situação de Nakajima, jogador do… FC Porto. “É verdade que tivemos uma proposta de 35 milhões de euros que veio do México, houve outros grupos que também tentaram, não vendemos. Não quero vender. Só sou capaz de entregar quando as coisas estão muito bem feitas. Aquilo que o Portimonense precisa é de apoio e de projeto, não de ser abandonado”, disse. Os jogadores, em campo, deram essa prova de que a equipa tem ainda uma palavra a dizer na permanência. Tiveram mais qualidade coletiva, quiseram mais em termos individuais e marcaram mais na festa dos “golos babacas“, como catalogou Paulo Sérgio no final (3-2).

Ficha de jogo

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Portimonense-Marítimo, 3-2

28.ª jornada da Primeira Liga

Portimão Estádio, no Algarve

Árbitro: Manuel Mota (AF Braga)

Portimonense: Gonda; Hackman, Jadson, Willyan, Fali Candé (Henrique Custódio, 46′); Dener, Júnior Tavares; Bruno Tabata, Lucas Fernandes (Bruno Costa, 85′), Aylton Boa Morte (Pedro Sá, 63′) e Ricardo Vaz Tê (Mohanad Ali, 90+3′)

Suplentes não utilizados: Ricardo Ferreira, Rodrigo, Rômulo, Marlos Moreno e Anderson

Treinador: Paulo Sérgio

Marítimo: Charles; Bebeto (Edgar Costa, 46′), Zainadine, René Simões, Nanu; Xadas (Pelágio, 46′), Bambock, Vukovic (Getterson, 70′), Correa (Erivaldo, 85′); Rodrigo Pinho e Joel Tagueu (Milson, 70′)

Suplentes não utilizados: Amir, Kerkez, China e Diego Moreno

Treinador: José Gomes

Golos: Bruno Tabata (24′), Aylton Boa Morte (39′), Rodrigo Pinho (53′ e 90+4′) e Hackman (58′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Fali Candé (19′), Bebeto (30′), José Gomes (60′), Hackman (65′), Willyan (68′), Dener (73′), Lucas Fernandes (83′) e Bambock (no final do jogo); ordem de expulsão a Briguel, delegado do Marítimo (30′)

Ao contrário do que aconteceu nos últimos encontros, o Portimonense conseguiu ter uma entrada personalizada em campo mesmo com menos bola do que o Marítimo e criou as oportunidades iniciais tendo Lucas Fernandes a dar o toque de classe de costume no jogo dos algarvios mas também um Bruno Tabata que fez a melhor exibição desde a retoma, desequilibrando sobretudo na primeira parte a partir da direita como num lance onde Ricardo Vaz Tê, o avançado chamado para substituir Jackson Martínez mais na frente de ataque, fez o mais difícil e desviou de cabeça ao lado (11′). Pouco depois, o avançado português que passou várias épocas em Inglaterra antes de passar pela Turquia e pela China foi assistido por Lucas Fernandes mas encontrou Charles a fazer um grande intervenção para canto, onde Willyan acerteria no poste numa jogada que seria de seguida anulada (17′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Portimonense-Marítimo em vídeo]

No primeiro remate com intenção, e contra a corrente do que se estava a passar, Xadas marcou um livre lateral de forma direta, Fali Candé tentou fazer o corte e a bola acabou por bater no poste da baliza de Gonda, num lance que podia ter invertido o encontro (20′). Não foi golo na baliza do Portimonense, foi golo na baliza do Marítimo. E um golo para os “apanhados”, acrescente-se: numa jogada que começou com uma possível falta sobre Xadas mas onde o VAR não pode intervir porque a bola chegou de seguida à posse dos insulares, o defesa René Simões e o guarda-redes Charles atrapalharam-se sobre quem afastaria a bola e Bruno Tabata, com muita crença à mistura, conseguiu ir pelo outro lado, rematar e inaugurar o marcador (24′). Houve muitos protestos à mistura, o golo foi validado e, na reposição, Joel ficou perto de fazer logo o empate mas o remate foi defendido por Gonda.

O Portimonense tinha menos bola mas estava melhor do que o Marítimo mesmo sem ela, aproveitando um livre lateral batido por Bruno Tabata para aumentar a vantagem por Aylton Boa Morte, num ressalto que sobrou ao segundo poste para o toque (39′). E os números podiam ser outros antes do intervalo, com Charles a evitar de forma atenta o segundo golo de Tabata em mais uma boa transição rápida com remate na passada (45′).

No segundo tempo, o Marítimo entrou melhor, apostado em marcar cedo para discutir o resultado e reduziu para 2-1 pouco depois na sequência de um canto com primeiro desvio de cabeça de Zainadine e desvio certeiro na pequena área de Rodrigo Pinho (52′) mas voltou a pecar no plano defensivo em mais um lance muito discutido pelos responsáveis insulares por falta de Vaz Tê sobre Pelágio na altura da impulsão antes do remate falhado de Hackman que podia ter ido para a bancada, saiu uma “rosca”, ganhou um efeito estranho e acabou por entrar na baliza de Charles (58′). Apesar da boa entrada, voltavam os dois golos de diferença e a equipa de José Gomes, mesmo com algumas oportunidades para poder ter outro resultado, conseguiu apenas reduzir a desvantagem já no quarto minuto de descontos com mais um golo de Rodrigo Pinho.

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