O objetivo é muito claro: promover a qualidade do desenho urbano, planeamento urbano, da arquitetura da Grande Baía e fazer com que as populações e os governos deem mais valor à qualidade do planeamento urbano no desenvolvimento das cidades“, disse à Lusa o presidente do CURB — Center for Architecture and Urbanism, o arquiteto Nuno Soares.

Na quarta-feira, a organização não-governamental criada em Macau em 2014 para promover pesquisa, educação, produção e disseminação de conhecimento nas áreas de arquitetura, urbanismo, design e cultura urbana integrou a fundação da Aliança de Designers Urbanos da Grande Baía (GBAUDA, na sigla em inglês).

A cerimónia de assinatura dos cinco institutos fundadores teve de ser feita ‘online’, devido às contingências da covid-19, e contou com a participação da chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

O contexto em que esta aliança surge é um contexto de desenvolvimento urbano estratégico desenvolvido pelo Governo central da China de fazer com que esta zona do Rio das Pérolas passe a ser a Grande Baía“, explicou Nuno Soares.

Contexto esse que criou a necessidade de se criarem políticas e colaborações entre as várias cidades, acrescentou.

O projeto de Pequim da Grande Baía pretende criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,2 biliões de euros, semelhante ao PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

No futuro, frisou o arquiteto português, “estas cidades vão ter um planeamento coordenado (…) vão ser criadas bastantes sinergias e interdependências e isso vai espoletar uma série colaborações ao nível da academia, institutos profissionais”.

Esta ‘aliança’ surge por isso mesmo: “instituições profissionais no campo do desenho urbano da Grande Baía que resolveram juntar-se, fazer uma aliança, para com isso promoverem a qualidade do espaço urbano, desenho urbano, na Grande Baía”.

Neste momento, a associação conta com representantes de cinco das 11 cidades, mas o objetivo é alargar a cooperação aos restantes territórios, sublinhou Nuno Soares.

O arquiteto português explicou ainda que o objetivo da GBAUDA não é uniformizar a arquitetura na Grande Baía, mas sim dar mais importância ao espaço público. “Cada uma das cidades vai continuar a ter a sua idiossincrasia e a sua especificidade”, disse.

Em relação à qualidade do espaço urbano em Macau, um território com cerca de 30 quilómetros quadrados, com mais de 690 mil habitantes e que o ano passado receber quase 40 milhões de visitantes, Nuno Soares é da opinião que, “como tem uma área limitada, tem de gerir muito bem o seu planeamento urbano”.

Uma realidade que causa constrangimentos, mas que pode trazer vantagens: Pode ser um problema porque a área é limitada, mas pode também ser uma oportunidade. Ou seja, como a área é mais pequena, é efetivamente mais fácil de ter um planeamento integrado”, afirmou.

O arquiteto acredita que Macau tem condições para se promover um desenvolvimento urbano de excelência.

Macau cresceu muito em termos económicos e em Produto Interno Bruto, disse, “mas não melhorou ainda a qualidade de vida. Acho que Macau tem de se concentrar em melhorar a qualidade de vida”. Mais espaços verdes, melhores transportes, melhores espaços públicos, deve ser o foco, concluiu.