O Tribunal de Coimbra determina hoje, às 12:15, a sentença de uma antiga funcionária da Segurança Social acusada de burlar a instituição em 631 mil euros com a criação de perfis falsos de beneficiários de abono de família.

A antiga funcionária, de 50 anos, residente em Coimbra, é acusada pelo Ministério Público de ter burlado a Segurança Social em 631 mil euros, entre maio de 2014 e finais de 2018, através de um esquema de criação de perfis falsos de beneficiários de abono de família. Aproveitando-se do acesso ao sistema, a funcionária gerou 100 perfis de mães falsas, inserindo nomes de mulheres, datas de nascimento, naturalidade, número de documento de identificação e morada, que não correspondiam a qualquer pessoa existente, gerando automaticamente um Número de Identificação de Segurança Social (NISS) para cada perfil, refere o despacho de acusação a que a agência Lusa teve acesso.

Na primeira e única sessão do julgamento, a arguida assumiu uma confissão integral dos factos presentes na acusação do Ministério Público (MP), justificando os seus atos por estar “desesperada” e “sem saber o que fazer” face a dívidas que alegadamente possuía. Com o esquema, a mulher chegou a garantir um rendimento mensal de cerca de seis a sete mil euros mensais, sendo que, durante o julgamento, a arguida socorreu-se do seu filho mais velho, hoje com 28 anos, que teria dívidas de jogo que não conseguia pagar.

Apesar disso, no julgamento, a arguida não conseguiu justificar onde gastou a totalidade dos 631 mil euros, montante do qual hoje não resta “nada”, admitindo, porém, que gastou dinheiro na compra de uma viatura, viagens ao Algarve e ao estrangeiro, e dinheiro ao filho “fanático da Académica” para este “gastar com amigos” em deslocações à Madeira e Açores a acompanhar a equipa de futebol.

Nas alegações finais, a procuradora do Ministério Público referiu que o móbil dos crimes não merece “qualquer credibilidade”, frisando que, se a ex-funcionária não tivesse sido apanhada, em vez de 631 mil euros seriam “milhões”, pedindo uma pena de prisão efetiva para a arguida.