A Alemanha vai impor um confinamento regional motivado pelo surto de SARS-CoV-2 num matadouro para o qual são conhecidas já mais de 1.500 casos positivos. A quarentena também foi imposta em blocos residenciais noutras cidades alemãs.

O governo da Renânia do Norte-Vestefália, o segundo maior estado e o mais populoso da Alemanha, decretou que o município de Gütersloh iria ser sujeito a medidas de restrição equivalentes às que foram decretadas durante o confinamento do país em março. As novas medidas de contenção vão vigorar, pelo menos, até ao dia 30 de junho.

O surto atingiu o matadouro da empresa Tönnies e, pelo menos, 1.529 dos seus trabalhadores. A empresa fechou portas e todos os 7.000 trabalhadores terão de ficar em casa de quarentena e vigiados por forças policiais.

Fora da empresa ainda só se conhecem 24 casos, mas o governo vai disponibilizar testes de despistagem gratuitos para os 360 mil habitantes da região atingida.

Muitos dos trabalhadores da Tönnies são oriundos de países de leste — Bulgária, Roménia, Polónia ou Macedónia do Norte — e vivem e trabalham em condições precárias, como mostrou a emissora alemã Deutsche Welle (DW).

Inge Bultschnieder, cidadã alemã, criou um grupo ativista em 2012 e tem feito manifestações sobre as falta de condições dos europeus de leste naquele território, mas queixa-se que nem os donos da empresa, agora encerrada, nem as autoridades locais fizeram alguma coisa para mudar a situação. Pelo menos, até agora.

“A pandemia não acabou, nem no mundo e certamente que não na Alemanha”, disse Lothar Wieler, diretor do Instituto Robert Koch (RKI)

Os eventos culturais vão ser cancelados e os cinemas, ginásios e bares vão fechar novamente. As escolas e jardins de infância já tinham sido encerrados assim que se teve conhecimento do surto na empresa. Os restaurantes só podem servir take away.

Os habitantes daquela região voltam a só poder contactar com os elementos do agregado familiar ou até uma pessoa fora do agregado familiar quando estão na rua, as visitas às casas de outras pessoas não são permitidas. As pessoas não estão impedidas de deixar a região, mas líder do estado da Renânia do Norte-Vestefália, Armin Laschet, pediu que não o fizessem, noticiou a BBC.

O número de casos diminui, mas o R continua alto

A taxa de contágio na Alemanha continua próxima de 3, o que levou esta terça-feira as autoridades a pedir prudência para evitar novos surtos de Covid-19.

Os focos registados num matadouro em Gütersloh, com mais de 1.500 infetados, num complexo de apartamentos, em Göttingen (no estado da Baixa Saxónia), ou no bairro de Neukölln, em Berlim, contribuíram para a elevada taxa de contágio. Nestes dois últimos blocos de edifícios residenciais 370 famílias foram colocadas de quarentena na semana passada.

Em Göttingen registaram-se alguns conflitos com a polícia de pessoas que tentaram quebrar a quarentena, noticiou a BBC.

“Temos que ter o maior cuidado possível, o vírus continua aí e tem um alto potencial de reprodução, como já vimos em alguns locais”, destacou Lothar Wieler.

Apesar de alguns estados federados registarem um aumento baixo ou até nulo de novas infeções, a taxa de contágio, que baixou ligeiramente em relação ao dia anterior, é de 2,76. O que significa que um infetado contagia, em média, quase três pessoas.

O país regista um total de 190.862 casos diagnosticados desde o início da pandemia, um aumento de 503 em relação ao dia anterior. Contam-se ainda mais 10 vítimas mortais, para um total de 8.895. São agora 175.700 os casos considerados recuperados, uma subida de 400 nas últimas 24 horas.