A Europa enfrenta esta quarta-feira o segundo dia de uma onda de calor, com temperaturas de 35 graus em Espanha e Portugal e de 30 graus nos países escandinavos, o que dificulta as medidas de precaução relativas à Covid-19.

Este aumento da temperatura, explicado por uma massa de ar quente com origem em África, é o primeiro pico real de calor desde a chegada do coronavírus à vida dos europeus. É, no entanto, um “episódio curto” que não deve durar, como explicou à Lusa a meteorologista Cristina Simões.

Desde terça-feira, as praias e os parques das principais cidades do continente foram “tomados de assalto”, apesar dos apelos para que as pessoas cumpram as regras do distanciamento físico, e europeus competem por ideias inovadoras para aproveitar o sol.

Em Milão, cidade do norte de Itália particularmente afetada pela pandemia, alguns moradores investiram na criação de uma “praia” de relva no meio de arranha-céus, enquanto em Sevilha, no sul de Espanha, o rio Guadalquivir viu os entusiastas da canoa chegarem em quantidade para se refrescarem.

No Reino Unido, onde se prevê que a temperatura se aproxime do recorde de 35,9 graus estabelecido em junho de 1976, as autoridades temem não ser capazes de fazer respeitar a regra da distância de dois metros entre as pessoas.

Por isso, as pessoas mais vulneráveis, especialmente os idosos, que já eram consideradas de alto risco devido à possibilidade de serem contagiadas com a Covid-19, terão de aumentar os cuidados, estando os assistentes sociais a telefonar-lhes para recordar-lhes que devem manter-se em casa.

Na Suécia, a agência de saúde pública desaconselhou o uso de ventoinhas em lares de idosos para impedir a propagação do coronavírus.

Face ao risco que as altas temperaturas representam para os idosos, a agência recomendou a instalação de ar condicionado ou persianas para proporcionar sombra.