A taxa de poupança das famílias aumentou 2,9 pontos percentuais no primeiro trimestre face ao mesmo período de 2019, devido à redução do consumo privado associada à pandemia de Covid-19, divulgou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Considerando valores trimestrais efetivos e não valores anuais, a taxa de poupança das famílias aumentou 2,9 p.p. [pontos percentuais] no 1.º trimestre de 2020 face a igual trimestre do ano anterior, refletindo sobretudo a redução do consumo privado”, pode ler-se numa caixa das Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional que o INE divulgou esta quarta-feira, que assinala “o contexto da pandemia de Covid-19”.

Segundo o instituto, “o rendimento disponível manteve-se em crescimento, observando-se um aumento das remunerações, que ainda não refletem no 1.º trimestre os impactos negativos da pandemia Covid-19, e das prestações sociais recebidas”.

O rendimento disponível bruto das famílias ajustado ‘per capita’ [por pessoa] “fixou-se em 16,2 mil euros no 1.º trimestre de 2020, o que correspondeu a um crescimento de 0,5% face ao trimestre anterior”, uma variação “superior em 0,7 p.p. à taxa de variação do PIB [Produto Interno Bruto] nominal per capita”.

No total, nos doze meses terminados em março, “a capacidade de financiamento das Famílias aumentou 0,5 p.p., para 2,1% do PIB”, e a “taxa de poupança aumentou para 7,4% (6,8% no trimestre anterior)”, um resultado que “reflete sobretudo dois efeitos: o aumento de 0,9% das remunerações e a ligeira redução do consumo final”.

A taxa de poupança das Famílias aumentou em 0,6 p.p. para 7,4% do rendimento disponível, em consequência do aumento de 0,6% do rendimento disponível (idêntico ao trimestre anterior) e da redução do consumo final em 0,1% para o ano terminado no 1º trimestre de 2020″, detalha o INE.

De acordo com o instituto de estatística, o aumento do rendimento disponível das Famílias “foi determinado pelo crescimento de 0,9% das remunerações no ano acabado no 1.º trimestre de 2019 (1,1% no trimestre anterior)”, em que as remunerações contribuem 0,6 pontos percentuais para esse agregado.

“O investimento (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF) das Famílias registou uma taxa de variação de 0,8% no 1.º trimestre de 2020 (1,7% no trimestre anterior)”, observa também o INE.

As contas esta quarta-feira divulgadas pelo INE indicam também que no total da economia, a capacidade de financiamento da economia situou-se em 0,6% do PIB, “diminuindo 0,2 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre anterior”.

Já o saldo das sociedades não financeiras (empresas que não bancos) “agravou-se em 0,3 p.p. no 1.º trimestre, fixando-se em -3,8% do PIB, refletindo sobretudo a redução de 0,4% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) nominal”, e a capacidade de financiamento [excedente] das sociedades financeiras “diminuiu para 2,4%”.

“O saldo externo de bens e serviços diminuiu no 1.º trimestre de 2020, passando de um saldo quase nulo no trimestre anterior, para -0,2% do PIB, devido a uma diminuição das exportações superior à das importações (1,0% e 0,4%, respetivamente)”, aponta também o INE.