O PCP defendeu esta quinta-feira que “a estabilidade não é um valor em si mesmo” e avisou que ela não existe quando se “provoca instabilidade social”, ao comentar a intenção do primeiro-ministro de entendimentos à esquerda até 2023.

A estabilidade não é um valor em si mesmo. A estabilidade alcança-se respondendo aos problemas”, afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas, à margem de um encontro com a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, em Lisboa, depois de dizer que desde 2015 o PCP sempre defendeu que “não é necessário um papel” para entendimentos.

Para Jerónimo, o Governo deve “corresponder à necessidade de dar resposta a estes problemas, ter em conta que existem centenas de milhares de portugueses no desemprego, em layoff, que veem os seus direitos sofrerem reduções.

E depois, em pleno processo de debate na especialidade do orçamento suplementar, no parlamento, para responder à crise causada pela pandemia de Covid-19, deixou o aviso: “É evidente que não pode haver uma estabilidade política quando se provoca a instabilidade social.”

Jerónimo de Sousa não explicou melhor esta afirmação, mas desde a apresentação do orçamento que os comunistas se queixam que medidas previstas do Programa de Estabilização Económica e Social, que têm o acordo do PCP, não estão previstas no orçamento suplementar.

O que o secretário-geral dos comunistas defende é uma “estabilidade responde aos problemas” e não uma “estabilidade apontando à resignação”. “Isso não faremos”, disse.

Após uma reunião com a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, em que ouviu queixas das dificuldades dos pequenos empresários em ter acesso às linhas de crédito e apoios, Jerónimo de Sousa afirmou estar preocupado com o facto de parte das medidas preconizadas pelo Governo estejam á espera das verbas comunitárias.

O Governo está a fazer contas apressadas”, alertou, fazendo em seguida várias perguntas: “Qual a decisão da União Europeia? Em que condições veem os fundos? Que resposta aos pequenos e médios empresários?”

Já quanto à festa do Avante em setembro, que o PCP continua a preparar apesar do surto de Covid-19, Jerónimo de Sousa afirmou que o recinto da festa é grande, equivalente “a dezenas e dezenas de campos de futebol”, e que partido vai respeitar as indicações das autoridades de saúde.