O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defende o prolongamento por um ano da autorização transfronteiriça que permite o encaminhamento da ajuda humanitária na Síria, segundo um relatório transmitido ao Conselho de Segurança.

O documento foi consultado na quarta-feira pela AFP.

A autorização existente desde 2014 expira em 10 de julho.

A Alemanha e a Bélgica submeteram aos seus parceiros no Conselho de Segurança um projeto de resolução para prolongar esta autorização, que tem a oposição da Federação Russa e da China, por entenderem que atenta contra a soberania da Síria.

No noroeste da Síria, que inclui a região de Idlib, para continuar a ajuda humanitária “é precisa uma renovação da autorização transfronteiriça para utilizar os pontos de entrada em Bab al-Salaam e Bab al-Hawa (na fronteira turco-síria) por 12 meses suplementares”, escreveu o dirigente da ONU.

Esta ajuda “é uma boia de salvação para milhões de civis que as Nações Unidas não podem atingir de outra forma“, acrescentou.

Moscovo entende que a ajuda internacional pode passar por Damasco. Mas Guterres contrapõe que esta “não é uma alternativa viável” e que “uma resposta transfronteiriça durável e em grande escala continua a ser necessária para satisfazer as enormes necessidades humanitárias no noroeste”.

Com 1.781 veículos, o mês de maio viu um recorde de camiões humanitários da ONU a passar pela fronteira com a Turquia” desde 2014, detalhou.

Só a ajuda proporcionada pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) beneficia em cada mês 4,5 milhões de pessoas.

Desde o encerramento em janeiro, imposto por Moscovo, do ponto de entrada de Yarubiyah, na fronteira com o Iraque, “a maioria dos produtos medicinais deixou de poder ser entregue” no nordeste da Síria, afirmou Guterres.

O chefe da ONU também está inquieto com a degradação das condições económicas na Síria. “O PAM estima que 9,3 milhões de pessoas estejam agora em situação de insegurança alimentar”, avançou.

Em janeiro, depois do recurso ao seu 14.º veto desde o início da guerra em 2011, a Federação Russa impôs uma redução drástica dos pontos de passagem fronteiriços autorizados, que passaram de quatro para dois. Moscovo impôs também a redução do período da autorização de anual para semestral.