O presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, disse à Lusa que a cobertura total de Portugal com rede de fibra passa por investimento público ou incentivos, de forma a evitar um “país a duas velocidades”.

Alexandre Fonseca falava à Lusa no final da apresentação do novo posicionamento e nova companha da Meo “Liga-te de novo. Liga-te à vida”, que decorreu em Picoas, Lisboa.

“Mesmo com investimento de um operador privado como a Altice Portugal não é possível chegar a 100% dos cidadãos, não podemos continuar com um investimento que é 100% privado a financiar um serviço público”, afirmou, quando questionado sobre o tema.

“Parece-me evidente na cabeça de muitos decisores públicos e privados que há necessidade de complementar este fantástico investimento que a Altice tem feito no nosso país” e, “das duas, uma: ou um investimento público para chegarmos a esta última franja da população portuguesa, que é verdadeiro serviço público, fazê-los estarem servidos com redes e fibra ótica – e eu acredito que isso faz todo o sentido porque só assim é que podemos ter um país que não corre a duas velocidades, ou então criar mecanismos a montante ou a jusante do investimento privado para que esse investimento privado tenha algum tipo de incentivo e que chegue a todos”, referiu Alexandre Fonseca.

“São estas as alternativas que estamos disponíveis para discutir, porque nós vamos continuar a trabalhar e investir na nossa economia, nas redes fixas e nas redes móveis”, rematou o gestor.

Relativamente ao “compromisso que assumimos em setembro de 2015, de 5,3 milhões de lares servidos [com fibra], estamos hoje a menos de 200 mil casas de atingirmos esse objetivo e estamos a meio do ano”, sublinhou o presidente executivo.

“Vamos cumprir esse objetivo”, asseverou, apontando que, apesar das “centenas de milhões de euros de investimento”, os resultados da dona da Meo “mostram crescimento contínuo da receita, da rentabilidade e do investimento”.

“Penso que isso dá um exemplo aos decisores públicos e outros decisores privados que efetivamente que é possível dar esse salto”, acrescentou Alexandre Fonseca.

Na próxima semana, os responsáveis da Altice Portugal vão fazer um périplo pelo país.

“Entendemos que é nossa obrigação enquanto empresa líder em Portugal de também darmos um sinal de normalidade, de voltarmos à normalidade. Portanto, nada melhor do que aquilo que tem sido, diria, um dos atributos chave da Altice Portugal, a proximidade, para nós mostrarmos e darmos o exemplo”, disse Alexandre Fonseca, salientando que por isso será realizado este périplo.

Trata-se de “voltar ao território, voltarmos a estes nossos célebres périplos pelo território nacional e vamos estar em 20 concelhos de 10 distritos durante cerca de 12 horas”, prosseguiu.

“Os membros da Comissão Executiva vão-se distribuir de Norte a Sul do país, passando pela região Centro, Interior e Litoral, onde vamos estar com iniciativas que vão desde anunciar mais investimentos na expansão da fibra ótica, mais investimentos na expansão da rede 4G, mais investimentos de ponto de vista de inovação e protocolos de inovação, mas também muita responsabilidade social”, acrescentou, sem detalhar.

Esta iniciativa arranca na próxima quinta-feira, disse.

Relativamente ao projeto com a Somincor, subsidiária da Lundin Mining e responsável pela exploração da mina de Neves-Corvo, em Castro Verde, em que a Altive Portugal vai levar tecnologia 4G a mais de 90 quilómetros de túneis desta estrutura, Alexandre Fonseca disse tratar-se de ser algo inovador em Portugal.

“A nossa ideia é que após o período do verão esteja concluído”, salientou, apontando tratar-se de um projeto “inovador a nível nacional e, a nível europeu, se não é o primeiro, é dos primeiros projetos”.

A rede 4G dentro da mina “vai melhorar as condições de segurança” e “aumentar a eficiência, porque vai permitir a automatização de algimas operações”, acrescentou Alexandre Fonseca.