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Às vezes não é preciso marcar para ser o melhor – basta ser uma Carraça (a crónica do Boavista Santa Clara) /premium

Boavista reagiu da melhor forma à goleada no Dragão e venceu Santa Clara na ressaca da vitória dos açorianos na Luz (1-0). Lucas marcou o único golo de bola parada mas o MVP foi o capitão axadrezado.

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Carraça foi um dos melhores do Boavista no regresso aos triunfos dos axadrezados frente ao Santa Clara no Bessa

Fábio Poço

Carraça foi um dos melhores do Boavista no regresso aos triunfos dos axadrezados frente ao Santa Clara no Bessa

Fábio Poço

Dois treinadores, dois resultados diferentes na jornada anterior, dois momentos distintos, a mesma ideia. É certo que o Boavista pode ter sido goleado no Dragão frente ao FC Porto naquele que foi o resultado mais desnivelado no dérbi este século, é certo que o Santa Clara pode ter ganho na Luz ao Benfica naquela que foi a primeira vez em que uma equipa visitante marcou quatro golos aos encarnados desde 1997, mas o lançamento do encontro que arrancou com a 29.ª jornada teve o condão de ser marcado pela tentativa de apagar (sem esquecer) o que se passou antes e começar a escrever o que se pode passar daqui para a frente. Quer entre vencidos, quer entre vencedores.

“Demos três passos à frente nos jogos anteriores depois da retoma e agora um passo atrás pela segunda parte que fizemos no último jogo. Não pela primeira, que foi boa. Se 35 pontos chega para garantir a manutenção? Não chega e, por isso, são sinais de alerta para dentro. Quem não estiver a pensar assim, está errado. Portanto, tem de haver exigência máxima até ao último dia, sem ‘ses'”, destacou Daniel Ramos, técnico do Boavista, destacando o trabalho feito antes do dérbi – e também na metade inicial do dérbi, embora convenha recordar que os axadrezados só tocaram uma vez a bola na área portista… – e frisando que a permanência não está assegurada, entre elogios ao Santa Clara: “É uma equipa sólida, com comportamentos bem definidos e que vem de um resultado excecional. Tem sido sempre uma equipa, em casa e fora, que concede e cria oportunidades, que se predispõe a fazer um jogo na procura do golo, que não é uma equipa de espera, que se mostra de forma ativa”.

«O que fizemos na Luz foi realmente histórico mas já passou, está fechado. Fica para as nossas memórias mas não é isso que vai alimentar-nos para fazermos mais jogos até ao final. Temos de trazer primeiro toda a gente à terra e isso neste grupo de trabalho é fácil fazer. Estamos conscientes de que o sétimo lugar está muito perto e é disso que vamos à procura, de melhorar, jornada a jornada, a nossa posição. Não dependemos de nós para ficar em sétimo mas a nossa parte vai ser feita”, salientou João Henrique, treinador do Santa Clara, avisando que a equipa teria de continuar com a mesma postura para somar novo triunfo no Bessa: “O jogo terá características completamente diferentes. Vai ser um bom jogo, competitivo, intenso. A equipa do Boavista tem vindo a demonstrar qualidade, tem vindo a demonstrar que é uma equipa muito agressiva com e sem bola.

Ficha de jogo

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Boavista-Santa Clara, 1-0

29.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Bessa, no Porto

Árbitro: André Narcisco (AF Setúbal)

Boavista: Helton Leite; Carraça, Fabiano, Lucas, Marlon; Ackah, Paulinho (Ricardo Costa, 90′); Gustavo Sauer (Obiora, 76′), Bueno (Heriberto, 76′), Fernando Cardozo (Mateus, 90′) e Cassiano (Stojiljkovic, 81′)

Suplentes não utilizados: Bracali, Dulanto, Idris e Yusupha

Treinador: Daniel Ramos

Santa Clara: Marco; Sagna, João Afonso, Fábio Cardoso, Mamadu Candé; Costinha (Diogo Salomão, 71′), Francisco Ramos, Nené (Osama Rashid, 59′), Zaidu (Carlos Júnior, 59′); Cryzan (Thiago Santana, 59′) e Lincoln (Zé Manuel, 71′)

Suplentes não utilizados: Rodolfo; Rafael Ramos, César e Anderson Carvalho

Treinador: João Henriques

Golo: Lucas (14′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Cassiano (11′), Osama Rashid (62′), Paulinho (64′), Ackah (73′) e Fábio Cardoso (88′)

No final, o jogo não foi tão bom como se dizia na antevisão. Competitivo e intenso sim, com muita batalha a meio-campo, mas com grande qualidade nem por isso. Imperou o golo de Lucas, o gigante central que foi à área dos açorianos aproveitar a defesa à zona onde estava Francisco Ramos para subir mais alto e marcar; imperou o rigor tático e organização coletiva dos boavisteiros que apenas nos 15 minutos que se seguiram ao 1-0 conseguiu ser realmente ameaçada; imperou o exemplo que veio do capitão, Carraça – não marcou, não assistiu mas foi sempre o elemento a puxar pela equipa e o que melhor demonstrou a veia guerreira determinante para a vitória.

O Boavista teve uma entrada melhor, mais subida e com mais vontade – até excesso de vontade, como se viu num lance entre Cassiano e Marco em que o avançado axadrezado acertou de forma perigosa no joelho do guarda-redes que até podia ter custado mais do que o cartão amarelo (11′). Era de bola parada que os boavisteiros se acercavam com mais perigo e foi num lance de estratégia que conseguiram mesmo inaugurar o marcador, aproveitando uma lacuna que já tinha sido vista pelos açorianos na Luz: Bueno colocou a bola no meio da defesa à zona do Santa Clara e Lucas saltou mais alto para desviar de cabeça e marcar um golo validado por apenas 17 centímetros (14′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Boavista-Santa Clara em vídeo]

Enquanto o árbitro e o VAR esperavam pelas linhas do fora de jogo, João Henriques colocava a mão na cara por ter sofrido mais um golo de bola parada mas a equipa acabou por não acusar a desvantagem e teve depois 15 minutos onde foi melhor, teve mais posse e conseguiu ir criando oportunidades para um empate que se poderia justificar ao intervalo, com Francisco Ramos a deixar a primeira ameaça de meia distância (19′) antes de João Afonso acertar na trave de cabeça após canto também por influência de Helton Leite, que não só desviou a primeira tentativa como conseguiu depois fazer uma grande defesa à recarga de Francisco Ramos (23′). Carraça, que voltou a ser um dos melhores do Boavista, ainda teve um remate com perigo ao lado mas foram os açorianos a conseguirem dominar mais o encontro até ao intervalo perante um adversário que acertou melhor as marcações.

O intervalo chegou e acabou por ser melhor para o Boavista do que para o Santa Clara, que continuou a ter mais posse do que os axadrezados mas sem entrar com perigo no último terço perante um adversário que recuperou o melhor que teve no Dragão durante a primeira parte, conseguindo anular quase por completo os pontos fortes dos açorianos sem ter no entanto a capacidade de construir com a mesma qualidade que já teve nos primeiros jogos depois da retoma. Assim, e em dois momentos, João Henriques começou a lançar a artilharia pesada que tinha no banco: Osama Rashid, Carlos Júnior e Thiago Santana aos 60′, Diogo Salomão e Zé Manuel aos 71′.

Percebendo que no plano ofensivo a equipa também não tinha argumentos, Daniel Ramos foi mexendo para dar outras soluções na frente mas com a entrada de Obiora deu um sinal para o último quarto de hora de que preferia um meio-campo mais de batalha do que de construção para a parte final, na tentativa de pelo menos aguentar a vantagem pela margem mínima que tinha sido alcançada no quarto de hora inicial. A qualidade do jogo, que estava já a cair desde a primeira parte, foi continuando a afundar-se, os minutos foram passando e o Boavista conseguiu mesmo conquistar os três pontos, igualando assim os açorianos na tabela classificativa.

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