O futebol espanhol não tem estado propriamente a servir de exemplo de paciência dos responsáveis diretivos que, em menos de uma semana, despediram três treinadores entre Primeira e Segunda Liga: Rubi Ferrer saiu do Betis por troca com o anterior coordenador da área desportiva, Alexis Trujillo; Guti deixou o Almería (onde tinha entrado com a época a decorrer) e foi rendido pelo português Mário Silva; Abelardo, o terceiro treinador que o Espanyol teve depois de David Gallego e Pablo Machín, rescindiu em vésperas de um jogo fundamental frente ao Real Madrid entrando para o seu lugar o próprio diretor desportivo, o também ex-internacional Rufete. No entanto, esta última troca tem mais para comentar. A começar logo pela forma como tudo decorreu.

Espanyol despede Abelardo, o terceiro técnico da presente temporada

Depois de uma vitória e de um empate nos dois primeiros encontros após o reatamento, frente a Alavés e Getafe, duas derrotas com Levante e Betis deixaram a equipa da Catalunha a oito pontos da permanência. Ainda assim, na última quinta-feira, Gelu Rodríguez, empresário de Abelardo, esteve reunido com dirigentes do Espanyol para começar a negociar um novo contrato, que previa vencimentos na Primeira e na Segunda Liga, consoante o lugar final em 2019/20. Ficou acordado que haveria depois nova reunião, até porque o técnico preferia ver como acabava a temporada para tomar uma decisão definitiva. Todos concordaram. 48 horas depois, foi dispensado. Mas o antigo central do Barcelona não seria o único treinador despedido recordado esta noite.

Pela boa entrada no jogo, pela capacidade que teve em criar oportunidades de perigo junto da baliza de Courtois e pela forma como discutiu o encontro até ao final, o Espanyol mostrou que tem futebol e jogadores para estar acima do último lugar (e dificilmente conseguirá evitar a descida de escalão). No entanto, o Real Madrid, reforçado com a experiência de Marcelo, Casemiro e Isco de início, soube controlar os momentos, teve uma atuação segura e voltou a beneficiar da arte de um dos melhores avançados da atualidade, Karim Benzema.

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Quase no final de uma primeira parte repartida e onde já tinha obrigado Diego Lopes a uma fantástica defesa para canto após trabalho individual, o francês recebeu a bola na área de costas para a baliza depois de Sergio Ramos ter ganho nas alturas e assistiu de calcanhar, por baixo das pernas do defesa contrário, o médio Casemiro (que antes ia marcando… do meio-campo) para o único golo do encontro, coroando a exibição do brasileiro que foi o melhor em campo. Numa jornada em que o Celta de Vigo tinha roubado pontos ao Barcelona, o Real Madrid não perdoou e passou a ter dois pontos de vantagem com um lance que fez recordar um “calcanhar de Deus” há dez anos.

“Benzema, Magia amigo, brutal”, escreveu Guti, o mesmo que foi despedido esta semana do Almería e que, em 2010, teve uma assistência que foi eternizada numa capa da Marca num golo marcado pelos merengues na Corunha frente ao Deportivo por… Benzema. “Foi uma boa jogada mas o mais importante foi mesmo o golo que resultou daí depois. A assistência foi boa mas o Casemiro também marcou bem. Para mim isto é futebol, é como um puf e saem as coisas. É assim que vejo o futebol. Não tinha visto a entrada do Casemiro mas sabia que estava nas minhas costas”, descreveu no final do encontro o avançado francês de 32 anos que está a cumprir a décima temporada em Madrid e que tinha estado nesse lance de Guti na época de estreia.