Criada em sistema pop-up, isto é, de forma mais rápida (e que poderá tornar-se definitiva se for utilizada), a ciclovia que liga o Martim Moniz à Praça do Chile, em poucos dias de vida, já conseguiu dividir os lisboetas. Até setembro, será prolongada até à Praça Francisco Sá Carneiro.

A pista da Avenida Almirante Reis é bidirecional, no sentido ascendente (sul/norte) e está localizada no centro da via. Nas redes sociais, por um lado, há quem teça elogios a Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, pela criação de uma rede de ciclovias a ligar os principais pontos da cidade mas, por outro, há quem aponte o dedo à falta de fluidez do trânsito ou levante a questão da circulação de veículos de emergência, agora que foi suprimida uma via de trânsito automóvel. Há mesmo um vídeo, a circular nas redes sociais, onde se vê uma ambulância a utilizar a pista pop up para se deslocar com celeridade.

O tema chamou a atenção do vereador social-democrata, João Pedro Costa, que acusou a CML de ter aproveitado o período de confinamento da Covid-19 para implementar a ciclovia, “revelando uma enorme incapacidade de ouvir e de promover a participação”. Apesar de a considerar uma “obra positiva”, o vereador reconhece que projetos como este têm de ser “concertados” com moradores e comerciantes, em assembleias de freguesia, de forma a serem conhecidas as “soluções técnicas”.

“Um eixo viário único numa via estruturante só funciona se for ininterrupto, coordenado com o funcionamento dos vários troços da avenida e responsivo a situações de emergência, o que está por demonstrar nesta solução”, explica João Pedro Costa, exigindo à Câmara que “disponibilize o projeto integral” e “aceite todos os contributos” para o melhorar.

Por responder permanecem, ainda, alguns pontos — como seja a questão das cargas e descargas, da paragem de um veículo em caso de avaria ou acidente, da zona de paragem de táxis e ubers para receber e deixar passageiros, ou do estacionamento que se vai perder.

CML quer construir 16 novas ciclovias até Setembro

No dia mundial da bicicleta, a 3 de junho, Fernando Medina anunciou várias medidas para tornar Lisboa numa cidade «mais verde e sustentável», tendo assegurado a criação de 95 quilómetros de ciclovias pop up até ao final de 2021, com vista a criar uma «rede estruturante» que cobre vários eixos. “Estamos a executar a estratégia de Lisboa ciclável, mas com uma nova rapidez”, disse o autarca, em conferência de imprensa, aludindo à meta traçada no início do mandato de ter 200 quilómetros de ciclovias até ao próximo ano.

A pandemia e a necessidade de distanciamento serviram de alavanca para a CML. “Nós não escolhemos a pandemia que estamos a viver, mas temos uma palavra a dizer sobre o futuro. Temos de agarrar este momento para fazer aquilo que ainda não foi feito”, afirmou.

A criação das 16 novas ciclovias vai decorrer em duas fases: a primeira, até fim de Julho, onde se incluem as intervenções na Avenida da Índia, onde vai ser suprimida uma via de trânsito automóvel, da Almirante Reis e da Av. da Liberdade.

Câmara de Lisboa vai criar 95 quilómetros de ciclovias até 2021

Já a segunda fase, a decorrer até setembro, contempla a criação de ciclovias nas avenidas de Roma e de Berna (com supressão de uma faixa de rodagem para automóveis), Marechal Gomes da Costa, Lusíada, José Malhoa, das Descobertas e de Ceuta, bem como na Rua Conde de Almoster. Está ainda prevista uma terceira fase, até 2021, com obras nas avenidas Gago Coutinho, Restelo, Torre de Belém, Álvaro Pais, Carlos Paredes e Helena Vieira da Silva.