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A equipa que fez 36 quilómetros para sair com a Chancel(a) da reconquista (a crónica do P. Ferreira-FC Porto) /premium

36 quilómetros separam Porto e Paços de Ferreira e um golo de Chancel Mbemba deixou os dragões à beira do título. FC Porto não fez grande exibição mas foi eficaz o suficiente para sair com a vitória.

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O central congolês fez o quarto golo esta temporada

Ivan Del Val/Global Imagens

O central congolês fez o quarto golo esta temporada

Ivan Del Val/Global Imagens

Desde que a Primeira Liga recomeçou, nos primeiros dias de junho, que jornais, televisões e rádios repetem as mesmas três frases duas ou três vezes por semana: este é um dia que pode ser decisivo para as contas do título; esta é uma semana que pode ser decisiva para as contas do título; esta é uma jornada que pode ser decisiva para as contas do título. Separados sempre por escassa distância, com trocas de lugares e deslizes recorrentes contra adversários teoricamente inferiores, tanto FC Porto como Benfica têm vivido, dia após dia, jogos que podem ser decisivos para as contas do título.

Mas esta jornada, a vigésima nona, tinha um twist que favorecia o FC Porto. Por mais decisivos que todos os jogos sejam até ao fim do Campeonato, nesta altura, os dragões sabiam que iriam sair desta segunda-feira com a liderança na mão. Mais de uma hora antes do apito inicial no Dragão, o Benfica tinha perdido pela segunda vez consecutiva, na Madeira com o Marítimo, e a equipa de Sérgio Conceição sabia que, na pior das hipóteses, chegava ao final do dia com os mesmos três pontos de vantagem em relação aos encarnados. Na melhor das hipóteses, cavava seis pontos de distância que, mais uma vez, poderiam tornar esta segunda-feira um dia decisivo nas contas do título.

Ficha de jogo

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P. Ferreira-FC Porto, 0-1

29.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

P. Ferreira: Ricardo, Jorge Silva, Marcelo, Maracás, Oleg, Eustáquio, Pedrinho, Luiz Carlos (Denilson, 71′), João Amaral (Zé Uilton, 60′), Douglas Tanque (Diaby, 71′), Hélder Ferreira (Adriano Castanheira, 60′)

Suplentes não utilizados: Marco Ribeiro, Marco Baixinho, Bruno Teles, Bruno Santos, Vasco Rocha

Treinador: Pepa

FC Porto: Marchesín, Manafá, Mbemba, Pepe, Alex Telles, Otávio (Loum, 79′), Uribe (Vítor Ferreira, 87′), Danilo, Corona (Fábio Vieira, 87′), Marega, Soares (Luis Díaz, 68′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Tomás Esteves, Diogo Leite, Aboubakar, Fábio Silva

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Mbemba (7′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Marcelo (5′), a Soares (34′), a Hélder Ferreira (41′), a Eustáquio (44′), a Mbemba (55′), a Marega (73′)

Mas o FC Porto assentava em mais do que isso para partir para a visita ao P. Ferreira com uma tranquilidade renovada. Além da goleada imposta ao Boavista na semana passada, logo depois de o Benfica ter perdido na Luz com o Santa Clara, a equipa de Sérgio Conceição entrava nesta jornada com a importante bagagem de um dado histórico. Isto porque, desde o início do século XXI, nunca o FC Porto deixou escapar um título depois de ser líder a 28.ª jornada — algo que aconteceu em oito ocasiões, sempre com o mesmo resultado no final da temporada, a conquista da Liga por parte dos dragões.

Sem Zé Luís, que Sérgio Conceição disse estar quase recuperado mas ainda não era opção para a deslocação à Mata Real, o treinador dos dragões fazia várias alterações face ao onze que goleou o Boavista: saíam Tomás Esteves e Luis Díaz, entravam Wilson Manafá e Uribe, sendo que Danilo rendia o castigado Sérgio Oliveira, que viu o quinto amarelo na última jornada. O capitão dos dragões voltava a ser opção inicial depois de ter começado na condição de suplente nas duas últimas partidas. Tudo isto contra uma equipa de Pepa cujo 13.º lugar acabava por ser enganador: o P. Ferreira é uma das melhores equipas desta retoma da Liga, com três vitórias em quatro jogos, tem sido dos conjuntos mais intensos e competitivos depois de três meses de paragem e provocou muitas dificuldades ao Sporting em Alvalade, numa partida onde acabou por ser um livre direto de Jovane a garantir os esforçados três pontos para os leões. Na Capital do Móvel, o FC Porto enfrentava aquele que, em teoria, é nesta altura um dos adversários mais complicados de encontrar neste final de temporada atípico.

Os dragões entraram em campo a assumir uma natural dianteira das ocorrências, ainda que os cinco primeiros minutos tenham sido passados numa ótica de exploração e estudo da forma como o P. Ferreira se ia apresentar. Sempre com especial predileção pelo corredor esquerdo, onde Corona procurava terrenos mais interiores para deixar a faixa liberta para as subidas de Alex Telles, o FC Porto parecia permitir uma pressão mais alta do adversário para depois tentar encontrar espaço nas costas da defesa. O golo, porém, acabou por aparecer através de uma bola parada: Telles bateu um canto na direita, Ricardo Ribeiro saiu em falso e desviou de forma insuficiente e Mbemba, perto da zona de penálti, atirou um remate muito forte para abrir o marcador (7′). A equipa de Sérgio Conceição chegava à vantagem no primeiro remate enquadrado que fazia — e que seria também o único até ao final da primeira parte.

O P. Ferreira não se escondeu depois do golo sofrido e continuou a aplicar uma pressão alta e intensa que obrigava o FC Porto a efetuar um movimento que não lhe é natural e que se baseia em Marchesín bater a bola diretamente para Soares, ao invés de tentar a construção apoiada. A equipa de Pepa, porém, tinha dificuldade em chegar com perigo à baliza adversária porque esbarrava na organização defensiva dos dragões, que não deixavam de aparentar alguma serenidade na hora de controlar o jogo. Depois do golo de Mbemba, a primeira parte disputou-se praticamente sem balizas e sem oportunidades, entre duelos físicos no meio-campo e muitos passes errados, segundas bolas disputadas e pouca qualidade técnica e tática. Até ao intervalo, destaca-se um livre direto de Pedrinho que passou por cima (29′) e um remate rasteiro de Hélder Ferreira que Marchesín encaixou (34′), em 45 minutos de um futebol pobre e muito abaixo da qualidade mais do que comprovada das duas equipas.

No FC Porto, sentia-se principalmente a falta de Sérgio Oliveira: Danilo, ocupado com funções mais defensivas, não estava a conseguir transportar o jogo entre setores, enquanto que Uribe estava mais atarefado com confrontos mais físicos e disputas de bola do que com a função de organizador. Corona era o elemento mais móvel e mais desequilibrador — entre um Soares mal servido, um Marega desaparecido e um Otávio esquecido no quase ignorado lado direito –, com arrancadas, jogadas individuais e transições, mas nem o mexicano estava a ter uma boa noite na Mata Real e acaba normalmente desarmado ou sem opções de passe.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do P. Ferreira-FC Porto:]

Na segunda parte, a dinâmica pobre e de escassez criativa manteve-se. Ainda assim, e face a uma menor concentração de ambos os lados, surgiram duas oportunidades separadas por parcos minutos, algo que não aconteceu na primeira parte: Luiz Carlos ficou muito perto de empatar, com um cabeceamento que passou a centímetros do poste de Marchesín (49′), e Soares foi o autor do segundo remate dos dragões à baliza, também de cabeça, para Ricardo Ribeiro encaixar (59′). Pepa foi o primeiro a mexer na equipa, para refrescar os corredores — saíram João Amaral e Hélder Ferreira, entraram Zé Uilton e Adriano Castanheira –, e o abanão no conjunto pacense fez-se sentir.

Pouco depois da hora de jogo, o P. Ferreira passou alguns minutos totalmente acampado nos últimos 30 metros adversários e asfixiou o FC Porto, com Luiz Carlos a beneficiar de mais uma oportunidade para empatar, através de um remate acrobático que Marchesín defendeu por instinto (67′). Pepe, claramente desconfortável face à sequência de lances de perigo do P. Ferreira, parecia olhar para o banco à procura de uma resposta de Sérgio Conceição à fase mais complexa da partida e o técnico reagiu ao trocar Soares por Luis Díaz, passando Corona a atuar no corredor direito.

O FC Porto nunca conseguiu sacudir por completo a pressão adversária, até porque o P. Ferreira acreditou que podia chegar à igualdade no último quarto de hora, e ainda viu Luis Díaz desperdiçar o aumentar da vantagem, permitindo a defesa de Ricardo Ribeiro depois de um erro da defesa pacense (77′). Loum ainda entrou para blindar e refrescar o meio-campo, assim como Fábio Vieira e Vítor Ferreira, e a equipa de Sérgio Conceição saiu mesmo da Mata Real com os três pontos, ainda que sem deixar uma grande exibição. Quando ao P. Ferreira, demonstrou mais uma vez que é uma das equipas mais duras de enfrentar nesta fase da época.

O FC Porto venceu, chegou ao quarto jogo seguido sem sofrer golos — o melhor registo da temporada neste particular — e abriu uma vantagem de seis pontos para o Benfica que pode ser um passo de gigante nas contas do título. Sem qualquer brilhantismo e com muitas dificuldades associadas a problemas físicos, principalmente na reta final, os dragões conseguiram segurar uma importante vantagem mínima sem nunca terem sido obviamente superiores. Cerca de 36 quilómetros, via auto-estrada, separam Porto e Paços de Ferreira: e só um golo de Chancel Mbemba bastou para deixar o FC Porto à beira da reconquista da Primeira Liga.

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