O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) pediu esta segunda-feira a audição urgente do ministro do Ambiente no parlamento para dar esclarecimentos sobre o incidente de sábado na Central Nuclear de Almaraz, em Espanha, a 110 quilómetros da fronteira com Portugal.

Central nuclear de Almaraz sofre 2º incidente em cinco dias, sem consequências para o ambiente

No pedido do PEV para ouvir o ministro João Pedro Matos Fernandes, feito através um requerimento entregue na Assembleia da República, argumenta-se que o incidente de sábado e outro anterior, em 22 de junho, que levaram à paragem de reatores, “confirmam que esta central está obsoleta e representa um perigo enorme” para Portugal.

E exigem que “o Governo esclareça a Assembleia da República, e através dela a população que vive  paredes meias com o risco, sobre as informações que tem relativas a estes novos incidentes, e as diligências que pretende tomar junto do governo espanhol” ,lê-se no requerimento para Matos Fernandes ser ouvido na comissão de Ambiente.

Os Verdes sublinham ser “importante sublinhar que, em caso de acidente de maior gravidade, Portugal pode vir a ser afetado quer por contaminação das águas, uma vez que a central utiliza as águas do rio Tejo para arrefecimento dos seus reatores, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente”.

E alertam que “Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que, a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactos imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre”.

A central nuclear de Almaraz, em Espanha, registou um incidente às 3h33 de sábado, no reator da unidade II, sem que haja registo de impactos no meio ambiente ou nos trabalhadores, anunciou o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) no domingo.

O CSN explica, num comunicado a que a Lusa teve esta segunda-feira acesso, que foi notificado pelo proprietário da central nuclear de Almaraz do incidente registado às 3h33 de sábado, no reator da unidade II, que se desligou automaticamente.

“O evento não teve impacto nos trabalhadores, no público ou no meio ambiente. Com as informações disponíveis até o momento, o incidente é classificado como nível 0 provisório na Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES)”, sustenta o CSN.

Em cinco dias, este é o segundo incidente registado na central nuclear de Almaraz.

No dia 22 de junho, às 20h15, a unidade I foi interrompida automaticamente como resultado da ação da proteção de turbinas originárias do gerador elétrico.

A unidade I estava em processo de carregamento, com 51% de energia e, segundo a informação dos proprietários da central ao CSN, não se registaram impactos nos trabalhadores ou no meio ambiente.

A central de Almaraz está situada junto ao rio Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.

Em operação desde 1981 (operação comercial desde 1983), a central está implantada numa zona de risco sísmico e apenas a 110 quilómetros em linha reta da fronteira portuguesa.

Os proprietários da central de Almaraz são a Iberdrola (53%), a Endesa (36%) e a Naturgy (11%).