O Model 3 é o best seller da Tesla e essa é também uma realidade no maior mercado do mundo para veículos eléctricos, a China. A berlina norte-americana é produzida localmente, na Gigafactory de Xangai, e está a vender bem a Oriente, mas vai ter de enfrentar a concorrência de um “clone” chinês. Trata-se do P7, cujas entregas a clientes vão arrancar em breve.

O rival do Model 3 é o resultado do “trabalho” da Xpeng Motors, uma startup que foi lançada em 2014 e que conta com o investimento de gigantes como o Grupo Alibaba e a Xiaomi. Porém, apesar do naipe dos investidores, a empresa começou a ser falada não pelos melhores motivos, tendo sido acusada de copiar o sistema de condução autónoma da Tesla. A marca norte-americana moveu um processo contra a Xpeng Motors, acusando-a de ter roubado o código-fonte do Autopilot para criar o seu XPilot que, dá-se a coincidência, até faz aquilo que a Tesla apelida de navegação em Autopilot. Mas a fonte de “inspiração” não ficou por aí, com o configurador online do fabricante de Palo Alto a servir também de “referência” para a Xpeng Motors.

Engenheiro da Tesla confessa ter roubado Autopilot

Sucede que, apesar de ter despoletado estas duas polémicas, a Xpeng Motors não ficou por aí na “colagem” à sua rival norte-americana. A prová-lo está o P7, cujas semelhanças com o Model 3 – da estética às soluções oferecidas – são evidentes. O sedan eléctrico de cinco lugares tem aspirações desportivas, em particular na versão 4WD High Performance que, como o nome indica, oferece tracção às quatro rodas e anuncia 0 a 100 km/h em 4,3 segundos, sendo impulsionado por dois motores síncronos de imã permanente, um em cada eixo. O da frente debita 120 kW (163 cv) e o de trás 196 kW (266 cv) com um binário máximo de 655 Nm.

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A alimentá-los está uma bateria de 80,9 kWh de capacidade, que lhe confere uma autonomia de 562 km entre recargas. Se está impressionado pelo alcance desta versão, saiba que há outra capaz de fazer ainda melhor: a Super Long Range. Neste caso, o P7 monta apenas o motor de trás (196 kW e 390 Nm), passa a cumprir a aceleração de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos, mas só precisa de reabastecer a bateria depois de percorrer 706 km. Há ainda uma versão de entrada, também tracção traseira e criativamente denominada RWD Long Range, que anuncia 586 km de autonomia.

Esta é a oferta da Tesla na China, onde a autonomia é menos exigente, para favorecer os construtores locais de baterias, o que levou a marca americana a recorrer a acumuladores chineses, menos eficientes e mais baratos.

As autonomias reclamadas pelo P7 seriam de pôr o Model 3 em sentido, não fosse o caso de serem calculadas de acordo com o vetusto e ultrapassado ciclo NEDC, método que, por estar desfasado da realidade, foi substituído pelo WTLP. Ainda assim, fazendo o ajuste para o actual protocolo europeu, o P7 deverá permitir 530 km entre recargas na versão Super Long Range; 440 km na RWD Long Range e apenas 420 km na 4WD High Performance. Ou seja, só fica abaixo da fasquia imposta pelo Model 3 na versão Long Range do Tesla (560 km em WLTP), com a vantagem de aliciar pelo preço: a versão de entrada arranca nos 28.880€ (229.900 yuan renmimbi), a com maior alcance custa 32.164€ (254.900 yuan) e a mais potente exige 42.890€ (339.900 yuan).

De recordar que a Tesla vende os seus modelos substancialmente mais baratos na China – montando baterias menos eficientes, mais baratas e com menos autonomia – com o seu “Upgrade Standard Life”, com 450 km de autonomia (segundo o sistema chinês, próximo do NEDC), por 271.550 yuan, cerca de 34,207€, para depois o “Long Endurance Edition” ser proposto por 344.050 yuan, cerca de 43.340€ e o “Performance” estar à venda por 419.800 yuan, aproximadamente 52.882€.

Com esses preços e atendendo a que os chineses não valorizam tanto a autonomia como os europeus, o mais pequeno dos Tesla vai ter pela frente um forte adversário que, para mais, joga com as semelhanças para reforçar o seu “apelo” comercial. Além de poder contar com hardware para o XPilot 3.0, num outro rasgo de inspiração, o P7 conta com o modo sentinela e faz actualizações over-the-air (OTA) para todo o veículo e não apenas para o sistema de infoentretenimento como acontece com a maioria dos fabricantes de automóveis tradicionais.

A “Gigafactory” da Xpeng Motors

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Ao contrário de outras startups, que têm de fazer parcerias com construtores já estabelecidos no mercado chinês para conseguir produzir veículos nas fábricas que já existem, como a Nio, por exemplo, a Xpeng Motors conseguiu licença para fabricar automóveis.

A nova fábrica, de onde sairá o P7, foi inaugurada no passado dia 11 e localiza-se a cerca de 110 quilómetros a noroeste de Guangzhou, em Zhaoqing. Foi construída em apenas 15 meses, ocupa uma área de 2 km2 e é altamente automatizada. Aos 600 funcionários que aí operam juntam-se 264 robôs industriais “inteligentes”.

Todas estas vantagens, “herdadas” da Tesla, terão levado o construtor chinês, sedeado em Guangzhou, a equacionar a hipótese de lançar uma oferta pública inicial (IPO, Initial Public Offering) na bolsa norte-americana. O objectivo, conforme avançado pelo South China Morning Post, seria arrecadar 500 milhões de dólares, mas a notícia até agora não recebeu qualquer confirmação oficial. O ano passado, a Xpeng reuniu mais 400 milhões de dólares em novos financiamentos.