No final de fevereiro, à medida que várias cidades em todo o mundo começavam a fechar portas devido à pandemia de Covid-19, Hugo Menino Aguiar e a sua equipa tinham nas mãos a tarefa de adaptar ao novo contexto uma startup que trabalhava essencialmente offline. Falamos da Speak, um projeto português que organiza experiências de intercâmbio de línguas e de culturas com o objetivo de combater a exclusão social de pessoas migrantes e refugiadas, entrar no mundo online para ajudar a combater o isolamento social, numa altura em que este problema pode ser ainda mais acentuado.

Desde esse momento que, conta o fundador desta startup ao Observador, “nunca tivemos tanta gente a utilizar o Speak”: entre abril e maio foram mais de 7 mil pessoas, entre migrantes, refugiados e locais, que se uniram online para combater o isolamento social, incluindo cerca de 360 refugiados de diferentes países, como Espanha, Grécia, Itália, Portugal, Reino Unido e Síria. Na prática, o Speak passou para online os grupos de línguas que já organizava presencialmente entre pessoas recém-chegadas e locais a viver na mesma cidade, mas ajudou também outras pessoas que podem estar em situação de isolamento, como é o caso dos idosos.

A nossa solução foi alterar um pouco a proposta de valor e deixar de empurrar as pessoas para se ligarem no mundo offline e criar à mesma os grupos de línguas, mas agora online e sem ser no contexto de cada cidade. As pessoas que são mais vulneráveis estão ainda mais vulneráveis em situações destas. Como é que nós podemos ajudar? Garantindo que elas criam à mesma uma rede de suporte informal, independentemente de ser online ou não e independentemente de ser com pessoas a viver na mesma cidade ou não”, explica Hugo Menino Aguiar ao Observador.

A história desta startup, fundada em 2014, começou depois de Hugo Menino Aguiar ter percebido algumas dificuldades que ia sentindo durante as viagens que fazia para outros países. “Muitas vezes tive dificuldades em conseguir integrar-me na cidade onde estava. Senti dificuldade em criar uma relação de suporte informal, sabendo que claramente era um privilegiado porque viajava já com bolsa de estudo ou com trabalho e, à partida, poderia também já conhecer alguém na cidade. E mesmo assim foi difícil. Comecei a pensar o quão difícil deveria ser para todas as pessoas que atravessam fronteiras em contextos muito mais complicados e quis ajudar aí”, explica.

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