O PAN ainda não decidiu se apresentará um candidato próprio às eleições presidenciais, mas se optar pela via de apoiar alguém externo ao partido, Ana Gomes apresenta-se como um dos nomes possíveis. Isso mesmo explicou o líder André Silva em entrevista ao jornal Público (link para assinantes) e à Renascença, conhecida esta quarta-feira.

“Neste momento, está em cima da mesa apresentarmos ou não um candidato próprio, apresentarmos alguém que já se tenha apresentado ou não apoiarmos ninguém. O debate está aberto”, explicou o líder do partido, garantindo, porém, que ele próprio não será candidato. Questionado sobre se um apoio a uma eventual candidatura da socialista Ana Gomes está a ser equacionado, André Silva afirmou que “estão em cima da mesa todas as opções”.

“Um apoio a uma candidatura a terceiros, a alguém que não venha do campo político do PAN, tem de ser definida por um critério. O combate e a luta que Ana Gomes faz é meritório, mas há outras características, que se viéssemos a apoiar um outro candidato, devem ser avaliadas”, acrescentou. Não excluiu, porém, essa opção.

Ainda na mesma entrevista, André Silva não conseguiu evitar o tema das várias saídas de membros do partido que ocorreram nos últimos dias, incluindo do eurodeputado Francisco Guerreiro, e da polémica relacionada com os recibos verdes utilizados para remunerar membros da equipa no Parlamento, através da Câmara Municipal de Lisboa, como revelou o Observador. O líder do PAN classificou os demissionários como pessoas que colocaram “as suas expectativas e interesses pessoais” à frente “do interesse do partido”, falando em “individualização do mandato e enorme falta de solidariedade e lealdade institucional”.

A discussão entre André Silva e Francisco Guerreiro que precipitou a saída e revelou casos de falsos recibos verdes no PAN

Sobre o cerne da questão que terá levado às demissões, Silva foi perentório: “Não há nem nunca houve falsos recibos verdes no PAN. Existiram prestações de serviços devidamente enquadradas e partilhas de recursos entre as várias fontes de financiamento do partido, absolutamente legais”. Reconheceu, no entanto, que este é “um episódio menos bom do partido”, mas declarou-o um “capítulo encerrado”.

Ainda sobre o combate à pandemia de Covid-19 em Portugal, o líder do PAN aproveitou para fazer críticas à resposta na zona de Lisboa e Vale do Tejo, falando em “falta de chefia e de estratégia”, não concretizando contudo se tal ocorreu mais no campo sanitário ou político. Aquilo que André Silva concretizou foi sim a “falsa sensação de segurança” que diz ter sido criada pela forma como o estado de emergência foi levantado e pela realização de eventos como a manifestação da CGTP do 1º de Maio, na Alameda, e a futura Festa do Avante. “São maus exemplos de informação que se dá”, afirmou.