A deputada do Bloco de Esquerda, Isabel Pires, antecipava que o Governo, depois da interpelação agendada para esta quarta-feira, sobre a resposta à Covid-19 na Grande Lisboa nas áreas dos transportes e habitação, avançasse para “soluções concretas”, deixando de lado um discurso de “responsabilização individual ou de culpabilização de determinados comportamentos”, tendo em conta que “a coabitação e o local de trabalho” são os principais contextos de transmissão do surto.

Depois de três horas de debate, duas certezas: a primeira, e já repetida pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, é o facto de ser “impossível” manter o distanciamento social de dois metros dentro dos comboios porque, segundo o ministro, “isso implicaria reduzir a lotação a 10 ou 15%”, “inviável”, em termos económicos. E para quem ainda tivesse dúvidas sobre as suas declarações, explica que um comboio, na carga máxima, leva 2000 pessoas. “Com 1/3 da lotação, significa que viaja com todos os lugares sentados ocupados. Ou seja, nem assim está a cumprir o distanciamento. É uma limitação fortíssima”, assumiu, sempre que, ao longo do debate, foi sendo interpelado com a questão. “Reconheço que o problema é real. Por isso, apelo para o facto de não estarmos sempre zangados uns com os outros. E contra mim falo”.

Governo diz que “é inviável” cumprir o distanciamento social nos comboios

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