O presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, disse esta quinta-feira esperar que a solução encontrada pelo Governo para evitar a nacionalização da TAP não seja fundada num “bullying’ político” mas numa estratégia de parceria com os acionistas privados.

“Mantendo a gestão privada da TAP, as regras de direto privado na sua administração e estrutura acionista parece que encontramos uma solução, espero eu que não seja fundada num ‘bullying’ político mas numa estratégia de parceria com os acionistas privados”, destacou o líder do CDS, à margem da visita a uma pedreira em Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real.

Francisco Rodrigues dos Santos referia-se às notícias veiculadas esta quinta-feira em alguns órgãos de comunicação sobre um alegado acordo entre o Governo e os acionistas privados da companhia aérea portuguesa alcançado de madrugada para evitar a nacionalização da TAP.

O dirigente do CDS-PP defendeu também que a TAP precisa de uma solução consensualizada entre o Governo e o acionista privado “que não nacionalize a dívida” da companhia aérea porque seria um “sorvedouro de recursos públicos” e obrigaria “ainda a mais prejuízos”.

Considerando a TAP a “companhia aérea de bandeira do Estado português”, Francisco Rodrigues dos Santos sublinha ainda que esta “necessita de estabelecer ligações com zonas de interesse comercial, turístico e ao nível da circulação de passageiros para ativar as economias locais e que não haja discriminações de umas zonas do pais face a outras”.

O Estado tem de ter uma voz preponderante, um papel liderante com cláusulas muito concretas na corresponsabilização ao nível da solução atingida para que a TAP não caia e que ao mesmo tempo seja encontrada uma resposta que respeite o dinheiro dos contribuintes e que mantenha a proporcionalidade face a outros apoios que têm sido dados à economia”, acrescentou.

Apesar de defender o apoio à companhia aérea, o presidente do CDS realçou que deve estar “sempre presente o interesse nacional e salvaguardando o dinheiro dos contribuintes que é precisamente esse que vai ser injetado na companhia aérea”.

“O dinheiro dos contribuintes é dinheiro público e é subtraído das suas mesas e por isso obedece a alguma parcimónia e rigor, só pode ser chamado a salvar uma companhia aérea se tiver verificado o interesse nacional e se não houver nenhuma descriminação injustificada para algumas zonas do nosso país”, vincou.

Francisco Rodrigues dos Santos lembrou ainda que “desde o início” que o CDS colocou uma “linha vermelha à solução para a TAP” que passava por “não ocorrer a nacionalização”.

Desde cedo apelamos ao ministro Pedro Nuno Santos [ministro das Infraestruturas] que não abrisse hostilidades contra os acionistas privados que evitasse uma estratégia de ‘bullying’ político e negocial com os parceiros de solução e optasse por atingir um pacto de compromisso com a gestão privada da companhia aérea”, apontou.

Para o dirigente, com a injeção de capital do Estado na companhia aérea deve haver “naturalmente” um caderno de encargos público que salvaguarde o desempenho da TAP num “plano estratégico de desenvolvimento” para Portugal.

“Sendo certo que a TAP tinha hoje mais empregados, mais rotas e mais aviões, foi afetada por uma crise pandémica a nível mundial como outras companhias aéreas foram”, realçou ainda.