Viseu, Mangualde, Nelas, Sátão e Penalva do Castelo anunciaram esta quinta-feira a criação de uma empresa intermunicipal de captação e tratamento de água, que prevê um investimento de 45,7 milhões de euros até 2027. Cada município manterá a sua autonomia, com direito a fixar a tarifa de água a cobrar aos seus munícipes.

Em conferência de imprensa, realizada junto à barragem de Fagilde, em Mangualde, que abastece três destes concelhos, o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, salientou que a futura empresa plurimunicipal pretende captar, tratar, aduzir, reservar e fornecer água aos cinco municípios.

A Águas da Região de Viseu, que será constituída assim que os procedimentos legais estejam aprovados nas respetivas autarquias, deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre do próximo ano, tendo como principal objetivo a construção de uma nova barragem em Fagilde, que assegure o abastecimento para consumo humano.

“Sabemos que [a atual barragem] tem os seus dias a prazo, estando em contagem decrescente a necessidade da sua substituição e ampliação da sua capacidade, que é insuficiente, e também necessidade de reforçar o abastecimento”, salientou o presidente da Câmara de Viseu, que terá a maior participação na empresa.

Segundo Almeida Henriques, esta é a solução para o reforço de produção de água capaz de responder ao aumento dos consumos urbanos e que permite solucionar situações de escassez de água, como aquela que se verificou em 2017.

Num investimento estimado de 10 milhões de euros, a nova barragem será construída quase 200 metros a jusante da atual, com aumento da capacidade de armazenamento de 4,6 para 6,8 hectolitros cúbicos, que com os níveis de consumo atuais consegue abastecer os cinco concelhos durante ano e meio sem chover.

De acordo com o autarca de Viseu, a sua construção deverá ser assumida pela administração central e estar concluída até 2023, bem como ligação ao sistema de Balsemão. A Águas da Região de Viseu prevê um investimento total de 73,06 milhões de euros, com uma estimativa de 19,8 milhões de euros de financiamento a fundo perdido, sendo que a maior parte (45,7 milhões) será efetuado até 2027.

A empresa vai ser constituída com um capital social de 4,5 milhões de euros, dos quais quatro milhões são em espécie e 500 mil euros em numerário, com o município de Viseu a assumir 66,43%, seguido de Mangualde (14,24%), Nelas (9,81%), Sátão (6,58%) e Penalva do Castelo (2,94%).

A futura entidade vai assegurar 100% das necessidades de abastecimento em alta dos concelhos de Viseu, Mangualde e Nelas, sendo que nos casos de Penalva do Castelo e Sátão as percentagens rondam os 30 e 70%, respetivamente.

“Hoje existem cerca de 150 mil habitantes que dependem muito da sorte dos invernos e dos verões e não podem de depender da sorte, têm de depender de estruturas capazes de dar resposta às suas necessidades”, frisou o presidente da Câmara de Mangualde, Elísio Oliveira, que detêm a segunda maior posição no capital social.