Uma sondagem do Conselho Europeu de Relações Externas publicada a 26 de junho revela uma profunda desilusão dos europeus face à resposta dos governos à pandemia do novo coronavírus, com a maioria a admitir a necessidade de os governos agirem de forma mais coesa. 49% dos inquiridos consideram que a União Europeia foi “irrelevante” no combate ao vírus.

Numa amostra de 10 mil pessoas, entre elas cidadãos de França, Alemanha, Itália, Polónia, Portugal, Espanha, Bulgária, Dinamarca e Suécia, a maioria defende que os governos da Europa devem cooperar mais face a ameaças externas futuras, por sentirem que o seu país foi “deixado à sua sorte” durante a pandemia. Apenas 4% dos italianos e alemães apontaram a UE como sua “maior aliada” durante a crise, com a maioria dos países inquiridos a escolher a opção “ninguém” e 25% a nomear a China.

Mais de metade dos cidadãos franceses inquiridos consideram que a resposta da UE à pandemia foi “má”. 33% do total dos inquiridos nos nove países diz ter perdido a confiança na capacidade de ação dos governos e apenas 29% consideram que a crise veio provar a necessidade de um papel maior para o Estado. Em Portugal, 59% dos inquiridos apoiam a ajuda da UE, ao contrário dos alemães, suecos e dinamarqueses.

A visão de países fora da UE também teve um declínio significativo: 60% dos europeus revelam que sua visão dos Estados Unidos piorou e 48% sentem o mesmo em relação à China.

O relatório final do estudo “Juntos no trauma: europeus e o mundo depois da Covid-19” diz que os níveis de desilusão pública na Europa são “perturbadores”.