Não foi propriamente uma decisão fácil mas pelo menos teve a ponderação e os cuidados necessários para ser uma decisão com mais prós do que contras: ao contrário do que aconteceu com quase todas as equipas espanholas (o Levante foi a outra exceção), o Real Madrid decidiu mudar os encontros como visitado na Liga para Valdebebas, o centro de estágio com o campo principal Alfredo Di Stéfano, acreditando que era possível contornar essa alteração e lutar pelo título. Partia atrás, com menos dois pontos do que o Barcelona, depois de uma derrota em Sevilha com o Betis antes da pandemia que recolocara os catalães na frente. Hoje, três semanas depois do regresso do futebol em Espanha, o único “problema” diz respeito ao ligeiro atraso na colocação do novo relvado no Bernabéu.

A obra que colocará o estádio dos merengues como o maior, melhor e mais evoluído recinto desportivo no mundo começou por ter um custo a rondar os 400 milhões de euros. Depois 475 milhões, a seguir 575 milhões. Segundo o El Mundo, olhando para tudo ao pormenor, vai parar aos 812 milhões. E porquê? Todas intervenções feitas no estádio, incluindo um centro comercial com várias lojas e restaurantes, um novo museu interativo para contar a história do clube, uma cobertura retrátil que em termos estéticos dá o toque diferenciador na obra e um ecrã 360º, irão custar os tais 575 milhões de euros (que pela parte não desportiva terá uma maior facilidade de amortização). Depois, os materiais tecnológicos adquiridos são mais 100 milhões e as obras na área envolvente mais 125 milhões. A isso acrescem ainda 237 milhões pagos em juros, sob parcelas de 29 milhões de euros por ano, que terão de ser liquidados pelo empréstimo contraído nos bancos americanos Merrill Lynch e JP Morgan.

O total é uma verdadeira fortuna, o projeto em si é fácil de perceber, haverá impacto direto no próximo mercado de transferências porque existe uma espécie de caderno de encargos para cumprir que comprove a saúde das finanças do Real Madrid. Ou seja, e trocado por miúdos, não são esperadas grandes contratações (a não ser “aquelas” da ordem, aproveitando também as mais do que prováveis vendas de elementos como Gareth Bale) para depois, aí sim, haver um verão de 2021 escaldante onde Florentino Pérez poderá fechar o ciclo que pensou na nova era após a saída de Ronaldo do clube: garantir a contratação de Mbappé e tentar juntar-lhe ainda Haaland. Até lá, ainda falta. As coisas estão a correr bem e o único revés foi mesmo o atraso na colocação do novo relvado retrátil que obriga a um buraco de 25/30 metros para a colocação das estruturas de instalação numa obra complexa também pela proximidade do metro de Madrid, que passa nessa localização. De resto, melhor era impossível.

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