A difusão do rap crioulo, de origem cabo-verdiana, no tecido da cultura portuguesa, proveniente de bairros da Grande Lisboa e Margem Sul, está no centro do programa “Terra Irada”, que será apresentado em Lisboa, no domingo.

Nesse dia, às 16:00, está prevista a primeira atuação do programa “Terra Irada”, integrado nas escolhas do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), ato que assinala a data da independência de Cabo-Verde, proclamada em 5 de julho de 1975.

A sessão é dividida em dois momentos: inclui uma conversa com os artistas Primero G, Ghoya, Né Jah e Mynda Guevara, moderada por Ana Garcia de Mascarenhas, seguida de atuações.

Com curadoria de Pedro Gomes, este programa do MAAT aborda as expressões comunitárias de música, com o título retirado de uma canção do fadista Fernando Maurício.

O objetivo é transmitir aquilo que tem sido Lisboa dos bairros do final da década de 1990 até agora, “com a persistência de inúmeros problemas ao longo dos anos”, segundo o comunicado do MAAT sobre o programa.

A ideia é aclarar a indissociabilidade da realidade do rap, no caso crioulo, daquilo que se passa num mundo cada vez mais insustentável a nível nacional e internacional, onde a intolerância, o racismo, o fascismo e o capitalismo não podem merecer qualquer tipo de misericórdia”, considera a curadoria do programa.

A trama da proposta com as expressões comunitárias da música, dá foco às manifestações locais, e também às ligações que Portugal desenvolveu ao longo da História.

O programa “Terra Irada” vai manter-se até ao final de 2020, com conversas e atuações. A próxima edição fará uma homenagem ao fadista Fernando Maurício (1933-2003).