A maioria dos voos que operam entre a meia-noite e as seis da manhã no aeroporto de Lisboa ocorre devido a atrasos e alterações de horários de voos, de acordo com a ANA, Groundforce e Portway.

As três entidades – a gestora dos aeroportos ANA – Aeroportos de Portugal e as empresas de handling (assistência a aeroportos em terra) Grounforce e Portway – responderam a perguntas dos deputados da Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, no âmbito do grupo de trabalho sobre voos civis noturnos, na Assembleia da República.

“A ANA trabalha com a lei em vigor”, indicou Thierry Ligonnière, presidente da Comissão Executiva da empresa, assegurando que algumas das obras que ocorrem neste momento no aeroporto de Lisboa deverão contribuir para “evitar atrasos durante o dia” e que voos acabem por transitar para a noite, nomeadamente para o período entre as 24:00 e as 06:00, em que existem restrições legais por causa do ruído.

Por sua vez, Paulo Neto Leite, presidente executivo da Groundforce referiu que, em média, estão previstos 13 voos por dia para o período noturno em Lisboa, mas que se realizam 16, devido “à complexidade e aos problemas de saturação na Europa”.

A administradora delegada da Portway, Helena França, dá conta de que, dos movimentos de clientes da empresa em período noturno, apenas um terço era programado, sendo o resto atrasos ou antecipações de voos.

Ainda assim, a responsável alertou os deputados para que “a limitação deste período tem consequências, diminui a atividade e atratividade do aeroporto enquanto destino para companhias aéreas”.

Helena França sugeriu que fossem aplicadas ações “para melhorar o planeamento e articulação” entre os horários previstos e cumpridos.

O que podemos discutir é que incentivos podem ser criados, por exemplo, com taxas para que possam ser introduzidas folgas no planeamento”, salientou.

Os deputados esperavam ouvir também a TAP durante esta tarde, mas a companhia aérea cancelou a sua presença, justificando esse facto com as alterações anunciadas para a empresa, segundos as quais o Governo vai passar a deter 72,5% da companhia aérea, depois de um acordo com os acionistas privados, conhecido esta quinta-feira.

A companhia aérea sugeriu enviar uma exposição escrita, mas os deputados do grupo de trabalho não aceitaram e vão avançar com os procedimentos necessários à audição da transportadora nesta matéria.