A Comissão Nacional do PS reúne-se no sábado, pela primeira vez desde o início da pandemia da Covid-19, esperando-se que António Costa faça um balanço da crise e aborde as principais linhas do futuro programa de recuperação.

Nesta reunião, que terá lugar pelas 10:30, no Centro da Esquerda, em Lisboa, o secretário-geral do PS será o primeiro a falar – uma intervenção que será aberta à comunicação social, o que já motivou protestos da parte de alguns socialistas.

O dirigente socialista Daniel Adrião, da tendência minoritária, disse à agência Lusa ter pedido ao presidente do PS, Carlos César, para que toda a reunião seja aberta aos jornalistas e não apenas a intervenção do secretário-geral do PS, de forma a que existam “condições de igualdade” entre todos os membros da Comissão Nacional.

Segundo o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, a reunião da Comissão Nacional do PS – o órgão máximo dos socialistas entre congressos que conta com 251 membros efetivos – será realizada num modelo misto de presenças e de participantes à distância por via digital.

Fontes socialistas disseram à agência Lusa que António Costa abrirá o ponto destinado à análise da situação política com uma intervenção de breve balanço sobre a ação do Governo desde o início da pandemia da Covid-19, destacando algumas das medidas de emergência e de estabilização destinadas a travar o aprofundamento da crise sanitária, económica e social.

Depois, o líder socialista deverá referir-se às principais linhas que vão orientar o programa de recuperação económica e social, de médio prazo, e que vai enquadrar a futura proposta de Orçamento do Estado para 2021.

No plano político, não se antecipa qualquer mudança da parte do PS, mantendo-se a prioridade de diálogo e de consenso à esquerda, mesmo tendo o PCP e o PEV, na sexta-feira, no parlamento, rejeitado a proposta de Orçamento Suplementar em votação final global.

Entre os dirigentes socialistas, considera-se que esse voto contra de dois dos três parceiros do PS está diretamente relacionado com a abstenção do PSD perante o Orçamento Suplementar, estabelecendo assim o PCP e o PEV uma linha de demarcação, sabendo-se que os comunistas terão um congresso no final de novembro.

Por outro lado, entre os dirigentes socialistas, também se salienta a parte do discurso do líder parlamentar comunista, João Oliveira, em que disse que no voto contra dos comunistas estava apenas em causa o Orçamento Suplementar e que o PCP se mantinha aberto ao diálogo em torno de outros documentos.

Na reunião da Comissão Nacional do PS, após a análise da situação política, será apreciação e votado o relatório de contas de 2019, assim ratificadas as deliberações da Comissão Permanente de adiar e retomar os processos de eleições federativas de 12 de março e 17 de junho.

A direção do PS propõe que as eleições internas se realizem nos próximos dias 17 e 18 e os congressos federativos para 12 e 13 de setembro – processos que foram interrompidos em março devido à pandemia de Covid-19.