O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, disse esta sexta-feira que a visita do Presidente da República este fim de semana à região vai “correr bem”, mas “já devia ter acontecido antes”.

À margem de uma visita a uma exploração pecuária em São Vicente, no norte da Madeira, o chefe do executivo regional comentou a deslocação que o Presidente da República realiza sábado e domingo à região, considerando que a visita “já devia ter acontecido antes”.

Isto porque, segundo Albuquerque, “o Estado tem estado alheado da situação e das necessidades da população da Madeira e do Porto Santo nos últimos meses”.

O presidente do Governo da Madeira referiu à comunicação social que um dos temas que vai abordar com Marcelo Rebelo de Sousa é o aval do Estado ao empréstimo superior a 300 milhões de euros que a região vai contrair, para enfrentar a crise pandémica da Covid-19 e que “não implicará um tostão aos contribuintes nacionais”.

Vamos transmitir e apelar à influência do Presidente da República para a necessidade da operação de financiamento que a Madeira vai realizar, à sua custa e através dos seus recursos, ter também a garantia do Estado, o que permitirá aos contribuintes madeirenses e à região pagarem menos juros”, observou.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chega no sábado às 20:30 à Madeira para uma visita de menos de 24 horas, que inclui uma ida à freguesia de Câmara de Lobos, agendada para domingo, às 12:30.

Fonte oficial disse à agência Lusa que a visita do chefe de Estado àquela ilha começa às 11:00 de domingo com uma visita ao centro de Saúde do Bom Jesus, seguindo, às 11:30, para o Hospital Central do Funchal, onde está instalada a Unidade de Internamento Polivalente/Unidade de Cuidados Intensivos dedicada à Covid-19.

O Presidente da República será recebido às 12:30 na Câmara Municipal de Câmara de Lobos e almoça depois num restaurante daquela cidade.

Marcelo Rebelo de Sousa realiza também uma visita à freguesia de Câmara de Lobos, onde foi instalada uma cerca sanitária entre 19 de abril e 3 de maio devido à identificação de uma cadeia de transmissão de Covid-19, tal como o fez Ovar, no distrito de Aveiro, e o concelho da Povoação, nos Açores, que também estiveram sob cercas sanitárias.

Às 15:00, Marcelo Rebelo de Sousa regressa ao Funchal para um encontro com os responsáveis das instituições particulares de solidariedade social da região autónoma, na Quinta Magnólia.

O Presidente da República segue depois para o Aeroporto Internacional da Madeira, onde visita, às 17:30, a Unidade de Rastreio e Vigilância à Covid-19, que entrou em funcionamento a 1 de julho, com a reabertura do arquipélago ao turismo.

Em 21 de maio, o presidente do Governo Regional criticou o chefe de Estado, acusando-o de não se pronunciar sobre a situação decorrente da Covid-19 no arquipélago, nem ao nível das reivindicações da região, nem sobre o comportamento da população.

O senhor Presidente da República, que foi eleito por sufrágio direto, ainda não teve tempo de se pronunciar sobre aquilo que se passa na Madeira, não teve tempo ainda de dirigir uma palavra de conforto aos madeirenses e de admiração pela forma como enfrentaram esta epidemia”, disse Miguel Albuquerque, durante a inauguração de um arruamento em Câmara de Lobos.

No dia seguinte, o Presidente da República assegurou que tem acompanhado, “com todo o empenho”, a situação vivida na Madeira, ressalvando que não publicita as suas intervenções para não as confundir com debates sem prioridade.

A Região Autónoma da Madeira teve até agora 92 casos confirmados de Covid-19, dos quais 90 recuperados, existindo apenas dois ativos.

O arquipélago não registou até ao momento qualquer óbito devido à pandemia da Covid-19.