No despacho que o juiz Ivo Rosa vai enviar para o Conselho Superior da Magistratura a pedir para continuar em exclusividade no processo da Operação Marquês, o magistrado enumerou todo o material que vai ter que analisar para decidir se leva os 28 arguidos da operação Marquês a julgamento pelos crimes de corrupção, branqueamento e fraude fiscal. Só no caso do ex-primeiro-ministro, José Sócrates, existem no processo 8199 horas de escutas, feitas ao longo de mais de um ano de investigação, assim como 27 horas e 35 minutos de interrogatórios. Fora os restantes arguidos, os documentos de prova, os milhões de e-mails e de tudo o que compõe este processo “particularmente complexo, difícil, exigente e moroso”.

O juiz Ivo Rosa está em exclusividade no caso desde 3 de novembro de 2018. A instrução do processo, uma fase facultativa aberta a pedido dos arguidos, teve início a 28 de janeiro de 2019 e durante todo esse ano foram ouvidos arguidos e testemunhas. A primeira a ser ouvida foi Bárbara Vara, filha de Armando Vara. O último foi Luís Marques, que fazia os estudos para a construção da linha do TGV. A 2 de março de 2020 começou o debate instrutório.

“As diligências realizadas na fase de instrução entre os 11 interrogatórios realizados a arguidos e a inquirição das 44 testemunhas perfazem o total de 133 horas e 4 minutos”, disse esta sexta-feira o juiz de instrução, ao anunciar que seria “humanamente impossível” proferir uma decisão justa no prazo de dez dias previstos na lei para o fazer.

Marquês. A decisão “não pode basear-se em critérios do deixa-se ir para julgamento e logo se vê”, diz Ivo Rosa

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