Já nos começamos a habituar. O chão das instituições públicas e culturais tem hoje mais sinalética que as estradas portuguesas — embora mais simples e colorida — e os avisos são para respeitar. Também já começa a ser um clássico sermos confundidos com outrem, se já o acontecia antes da pandemia — barbas há muitas — imagine-se agora, onde a pilosidade mais parece uma árvore com vegetação a crescer em direções impróprias. Só queremos um café e prometemos não tocar no balcão. É servido em cartão, para acabar no lixo e sem regressar a nenhuma outra mão depois de ser ingerido.

De seguida, rumamos à Sala Experimental do Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) onde atores e técnicos se preparam para mais um ensaio de “Mártir”, texto do dramaturgo alemão Marius von Mayenburg aqui encenado pelo diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada (CTA), Rodrigo Francisco. O cenário não é muito diferente do habitual: há quem bata texto de máscara, mas a maioria está metida nos seus rituais pré-ensaio, a tentar garantir que as palavras não lhe escapam, ajeitam-se figurinos, colocam-se adereços nos sítios estrategicamente definidos, e ainda sobra quem se estique no solo em pose de morto.

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