O recém inscrito partido Volt Portugal (VP) admitiu esta sexta-feira estar já a trabalhar para a corrida às eleições autárquicas de 2021, passando primeiro pela organização interna que culminará num congresso, previsto para setembro deste ano.

Numa conferência de imprensa online realizada esta sexta-feira — a primeira do Volt enquanto partido no país — Tiago Matos Gomes, presidente do Volt Portugal, revelou que o partido está já a pensar nas eleições autárquicas de 2021 ao mesmo tempo que se organiza internamente, processo que ficará consolidado num congresso com a eleição dos respetivos órgãos.

Para além do Presidente do Volt, falaram também aos jornalistas o vice-presidente do Volt Portugal, Mateus Carvalho, o co-presidente do Volt Europa, Reinier Van Lanschot e o único eurodeputado do Volt, eleito pela Alemanha, Damian Boeselager – que integra o grupo Verdes/Aliança Livre Europeia.

No passado dia 25 de junho, o Tribunal Constitucional (TC) aceitou a inscrição do Volt Portugal como partido político, que se tornou na 25.ª força política em Portugal, vendo assim concretizado um processo que iniciou em outubro de 2019, com a entrega de 9000 assinaturas junto do TC.

Questionado sobre os próximos objetivos do partido a nível eleitoral, depois de terem anunciado não se candidatar às eleições regionais dos Açores (previstas para outubro deste ano), Tiago Matos Gomes revelou que, dependendo das candidaturas, o partido pode “ou não” dar apoio a um candidato nas presidenciais do próximo ano.

O líder adiantou ainda que o partido está já a motivar os seus membros para trabalhar nas eleições autárquicas de 2021 (as primeiras nas quais irão participar oficialmente enquanto partido), estabelecendo contactos com a comunidade civil e a “tentar perceber cada vez melhor os problemas locais”.

O novo partido define-se como “pan-europeu”, devido à sua “ligação forte” aos valores europeístas e a representação em vários países da União Europeia e “pragmático”, argumentando que as melhores soluções para os problemas da sociedade devem ser postas em prática, independentemente da proximidade política ao espectro político tradicional de direita ou esquerda.

Para o partido, esta forma de olhar a política “já não serve ao mundo globalizado do século XXI”, definindo-se ao invés como um movimento “progressista” e “inclusivo”, que se preocupa com a forma como políticas globais e europeias têm impacto ao nível local.

No passado dia 6 de maio, o Volt Europa definiu como objetivo a eleição de 25 eurodeputados de sete países diferentes nas eleições europeias de 2024 – grupo para o qual o Volt Portugal gostaria de contribuir com a eleição de pelo menos, um eurodeputado nas próximas eleições.

Reinier Van Lanschot, co-presidente do Volt Europa, mostrou-se satisfeito com a constituição do partido em Portugal, considerando que este pode ajudar a contribuir para este objetivo, que, de acordo com o regimento do Parlamento Europeu, permitiria ao Volt a formação de um grupo político próprio.

O Volt Europa surgiu internacionalmente em março de 2017, como reação ao Brexit, iniciado por um coletivo de estudantes nos EUA. Andrea Venzon é o fundador do movimento Volt Europa, que já é partido político na Alemanha, Bulgária, Bélgica, Espanha, Holanda, Itália, Áustria, Luxemburgo, Dinamarca, França, Reino Unido, Suécia e agora, Portugal.

O Volt pretende estabelecer-se como partido em todos os países europeus e “trabalhar em conjunto” numa solução de futuro marcadamente europeísta.