Já não é só Donald Trump a querer apertar o controlo na fronteira com o México. Agora é o estado de Sonora, no norte do México, a querer fazê-lo, mas por motivos diferentes. É que Sonora faz fronteira com o Arizona, um dos estados norte-americanos mais afetados pela Covid-19. Por isso, o responsável pela pasta da Saúde naquele estado, Enrique Clausen, pediu ao governo central para implementar medidas mais restritivas na fronteira, de forma a impedir a entrada de residentes do Arizona e travar o avanço do surto no México.

No Arizona foram já registados 94.553 casos positivos e 1.805 mortes por Covid-19, e os números estão a aumentar rapidamente. Só na quarta-feira foram registados 4.900 novos casos e 88 mortes, o que obrigou as autoridades locais a darem um passo atrás na política de retoma de atividade, refere o ABC. O departamento de Saúde do Arizona adiantou mesmo que 89% das camas nos cuidados intensivos estão ocupadas. Por outro lado, o Estado de Sonora já tem 8.533 casos e 870 mortes. E, no sábado, o México ultrapassou França no número de óbitos (são já 30.366), tornando-se no quinto país com mais mortes devido à doença.

Covid-19. México supera França em mortes e regista recorde de infeções

Enrique Clausen quer um controlo mais apertado na fronteira no que toca a atividades não essenciais entre os dois estados. “É muito importante implementar as medidas necessárias para proteger a saúde dos nossos residentes. E uma dessa medidas, neste momento, tem de ser reduzir as travessias na fronteira, dos Estados Unidos para o México”, disse na semana passada, numa conferência de imprensa.

A fronteira entre os dois países está temporariamente fechada a atividades não essenciais e assim se manterá, pelo menos, até ao final de julho — mantém-se apenas aberta para viagens de trabalho e razões de saúde ou emergências. Mas o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrado disse, na sexta-feira, que há várias travessias não essenciais a acontecer.

Antecipando o fim de semana das celebrações do 4 de julho, Sonora anunciou um reforço dos pontos de controlo na fronteira para impedir a entrada de turistas e evitar que o estado se veja a braços com “um fardo maior de Covid-19”, disse, em comunicado, a governadora de Sonora, Claudia Pavlovich Arellano. Diariamente, passam a fronteira centenas de pessoas para trabalhar ou visitar familiares.