O objectivo era simples e até parecia ter pés para andar. Perante a catadupa de carros novos que todos os dias chegam ao mercado, alguns construtores de automóveis acharam que o futuro passava por os disponibilizarem mediante uma assinatura, ou seja, um pagamento mensal. E a solução ia mais longe, uma vez que a tal assinatura permitia aos clientes experimentar outros veículos, além daquele que era suposto usar no dia-a-dia.

Houve vários fabricantes que aderiram à comercialização dos seus modelos através das assinaturas, com a Mercedes a ser uma delas. Era uma espécie de leasing ou aluguer de longa duração, em que o fabricante tinha tanta confiança nos seus veículos que os disponibilizava durante um período reduzido, três ou seis meses, para o comprador ver essa liberdade de escolha como uma oportunidade para decidir se o que lhe interessava mesmo era um SUV ou se uma carrinha fazia o serviço, custando menos e consumindo menos, tendo ainda um comportamento mais divertido.

De início, tudo seriam vantagens, mas o negócio evoluiu para situações menos interessantes comercialmente. Pelo menos foi isso que aconteceu à Mercedes, que manifestamente perdeu o interesse e abandonou o projecto. Através da Mercedes Benz Collection, o fabricante de Estugarda criou há cerca de dois anos esta nova forma de “vender” automóveis, a que agora colocou ponto final.

A solução foi sobretudo testada nos EUA e apenas em alguns Estados, mais precisamente Filadélfia e Nashville, onde os clientes pagavam cerca de 1000 dólares por mês, mas podiam ter numa semana uma berlina Mercedes Classe C, para na semana seguinte conduzirem uma carrinha Classe E, que depois poderiam trocar por um GLC, GLE ou até um desportivo.

Perante uma certa falta de interesse, a Mercedes apimentou a oferta com recurso a desportivos da AMG. Mas, de acordo com as revelações à Automotive News, por parte de Adam Chamberlain da Mercedes USA, a procura saldou-se em valores mínimos, pelo que o serviço de subscrições termina este Verão.

Curiosamente, Chamberlain chamou a atenção para o facto de as assinaturas atraírem tradicionalmente clientes com uma idade média de 45 anos. Mais jovens, portanto, do que os clientes da Mercedes nos EUA, cuja média de idades se situa nos 55 anos.