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Numa temporada muito atípica e em que o Manchester City falhou a possibilidade de se tornar campeão inglês, as conversas que normalmente gravitam o Etihad preocupam-se mais com o futuro do que com o presente do clube. A equipa de Guardiola pode ainda conquistar a Taça de Inglaterra e a Liga dos Campeões até ao final da época mas, e de forma ligeiramente compreensível, todas as perguntas estão relacionadas com a hipótese de o City não jogar essa mesma Liga dos Campeões nos próximos anos.

Não só pelo afastamento da maior competição europeia de clubes, não só pela ausência de encaixe financeiro associado, mas também por tudo aquilo que passar ao lado da Champions pode ter como ondas de choque. A continuidade de Guardiola já foi questionada, por ninguém acreditar que o treinador espanhol queira ficar num clube que não está na Liga dos Campeões, assim como a permanência de alguns dos pesos-pesados do plantel, movidos pela natural ambição e pela vontade de estar na maior montra da Europa.

Duas épocas fora da Europa e 30 milhões de multa: o que fez o City para uma sanção tão pesada da UEFA?

Mas Guardiola, um dos nomes que é mais vezes mencionado nessas conversas que gravitam o Etihad, está bastante tranquilo. “Estamos prontos. Temos muita confiança e esperança de que vamos poder jogar a Liga dos Campeões porque queremos estar em campo durante esses anos”, disse o treinador na antevisão da visita ao Southampton, onde acrescentou ainda que espera que o clube “continue a crescer nos próximos anos”. Tudo isto porque, no dia 13 de julho, o Manchester City vai conhecer a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto sobre o recurso que apresentou depois da condenação da UEFA.

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Ora, este domingo, e depois da goleada imposta ao já campeão Liverpool a meio da semana, o Manchester City visitava o Southampton, uma equipa que está tranquila na tabela e com a manutenção assegurada. Em relação ao último jogo, Guardiola fazia seis alterações no onze e lançava para a titularidade os dois portugueses do plantel: entravam Zinchenko, Cancelo, Bernardo Silva, David Silva, Fernandinho e Mahrez, saíam Kyle Walker, Mendy, Gundogan, Rodri, De Bruyne e Phil Foden.

Depois de um início morno, em que o Manchester City não aplicou a habitual velocidade de movimentos e permitiu ao Southampton algum espaço na primeira fase de construção, os citizens começaram a adiantar as linhas progressivamente. Zinchenko, o lateral esquerdo, estava muito móvel e aparecia no outro corredor e era Ederson, o guarda-redes, quem formava o primeiro trio de futebol apoiado em conjunto com os dois centrais, ao sair da grande área para jogar com os pés. Tudo isto poderiam ser coisas boas: mas para o City e este domingo acabou por funcionar como o erro primordial.

Numa altura em que Zinchenko estava no corredor central, o lateral ucraniano foi desarmado por Stuart Armstrong, que deixou a bola redondinha para Ché Adams, de primeira, aproveitar a posição adiantada de Ederson para atirar um chapéu de primeira que só parou na baliza do City (16′). Depois do golo sofrido, a equipa de Guardiola puxou dos galões e encostou o Southampton às cordas, aproveitando principalmente o corredor direito e o entendimento entre Bernardo e Cancelo. O maior lance de perigo do City, à meia-hora, acabou por concentrar três oportunidades de golo numa única jogada: McCarthy defendeu um remate de Sterling, Fernandinho atirou ao poste e Silva cabeceou para outra defesa apertada do guarda-redes dos saints.

Na segunda parte, a lógica pouco ou nada se alterou. O Southampton nem sequer estava muito recuado no terreno, com a dupla Danny Ings e Ché Adams a servir de primeira fase de pressão à saída de bola dos centrais do City, mas a verdade é que a equipa de Guardiola estava totalmente instalada nos últimos 30 metros adversários. As oportunidades sucederam-se por David Silva, Gabriel Jesus e Sterling, mas a bola ou insistia em sair prensada em defesas do Southampton ou era parada por McCarthy, o guarda-redes de 1,93 metros que realizou uma enorme exibição.

Guardiola ainda lançou De Bruyne e Phil Foden mas o problema manteve-se: o City criava, construía, chegava à grande área mas tinha todos os caminhos obstruídos, ou por defesas do Southampton ou pelo guarda-redes McCarthy. No final, depois de uma segunda parte em que os citizens foram completamente dominadores e só foram surpreendidos por um ou dois lances de transição rápida da equipa de Hasenhüttl, a equipa de Guardiola não conseguiu evitar o desaire. Depois da goleada imposta ao Liverpool, que serviu quase de espanta-espíritos depois da Premier League perdida para os reds, o Manchester City sofreu a terceira derrota seguida em casa para o campeonato (algo que não acontecia desde Pellegrini) e caiu aos pés de um Southampton que aproveitou um Ederson adiantado para deixar Guardiola de chapéu.