“Tenho de admitir que adorei trabalhar com os rapazes durante o período de quarentena e quando começámos nos treinos em conjunto”, começou por dizer José Mourinho após a derrota frente ao Sheffield United da última ronda, que colocou quase a qualificação para a Liga dos Campeões como uma miragem e deixou em perigo até a presença na próxima Liga Europa. No entanto, essa era apenas uma introdução positiva para uma análise negativa, das mais bruscas desde que chegou ao Tottenham. “Para mim não é um problema perder quando o adversário é melhor, se o meu guarda-redes comete um grande erro, se o meu avançado falha dois golos de baliza aberta, se alguém falha um penálti no último minuto. Para mim é complicado lidar com as derrotas quando fico com a sensação de que podíamos ter feito mais, muito mais. Não estou feliz por isso”, lançou, assumindo a frustração.

“Recuso-me a falar outra vez da situação extraordinária que aconteceu no jogo [n.d.r. o golo anulado pelo VAR a Harry Kane, por alegada mão de Lucas Moura] e uma das razões é que não estou satisfeito com o que vi. Havia muita coisa em jogo, a possibilidade de nos aproximarmos das posições da Champions, a possibilidade de termos uma posição mais estável na luta pelos lugares na Liga Europa. Acredito na evolução da equipa mas eles [Sheffield United] quiseram mais do que nós. Isso é algo que me perturba. É algo que sinto, não sei, é a minha maneira de ser – é algo que me destrói um pouco por dentro porque a última coisa que quero no futebol é ter esta sensação de que podíamos e deveríamos fazer mais”, acrescentou, numa espécie de terapia de choque pós-insucesso.

Agora, no lançamento de mais um jogo fundamental frente a outra equipa que tradicionalmente é candidata às posições europeias mas que começou muito mal o Campeonato, o Everton, Mourinho preferiu ir para assuntos que não a própria equipa e o que se passou na última jornada. Elogiou Ancelotti, respondeu ao Arsenal.

“Se eles estivessem no topo da Liga ou a lutar pelos quatro primeiros lugares, então não ficariam satisfeitos com os problemas dos outros. Tu só pensas nos problemas dos outros quando também tens problemas. No final, diz mais sobre eles. Não têm muito para celebrar, pelo que têm de aproveitar todas as oportunidades que têm. Eles estão numa situação na Premier League semelhante à nossa. Não gosto de ligar o clube a algum post ou tweet. Talvez esteja errado mas não acredito que tenha sido Arteta, que tenha sido Xhaka ou outro capitão. Provavelmente foi alguma pessoa que está em casa há três semanas a trabalhar em casa”, disse a propósito de uma publicação do Arsenal nas redes sociais depois de ter ultrapassado o rival Tottenham na classificação.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.