O festival internacional de curtas-metragens Leiria Film Fest acontece entre 09 e 12 de julho num modelo simplificado, adaptado às condicionantes da pandemia de covid-19, com sessões ‘online’ e presenciais em Leiria e na Batalha.

Prevista para arrancar a 11 de março, a sexta edição foi adiada num momento “em que ninguém sabia muito bem o que fazer”, explicou à agência Lusa o diretor do festival.

Bruno Carnide recorda que “já se sentia o medo, não só do público para também de alguns convidados”.

Vários realizadores estrangeiros viram os voos cancelados e a organização adiou o festival. “Sem convidados e com um público receoso, pareceu-nos a solução mais sensata, e agora, olhando para trás, foi mesmo a decisão mais acertada”.

A organização assume que foi preciso “tempo para digerir tudo e recuperar forças”, após o cancelamento ter surgido “no próprio dia”, perdendo-se muito do trabalho de produção, logística, comunicação e investimento feito.

“Foi preciso muita força para não desistir e recomeçar de novo”, conta Bruno Carnide. Mas, entretanto, a equipa repensou o festival, optando por “simplificar o formato”.

De fora ficam as sessões que, no entender do diretor, “não fazem sentido no ‘online'”, como a que estava prevista com o realizador romeno Bogdan Muresanu, um dos elementos do júri da competição. “Sessões como esta, que enriquecem e envolvem toda a comunidade cinematográfica, perdem toda a importância no ‘online'”.

Desde modo, o programa do festival centra-se nas sessões competitivas, apesar de estarem previstas algumas sessões especiais e um novo espaço de conversa, a transmitir pela internet. Presencialmente, só há exibição em dois momentos: sábado os filmes vencedores são mostrados no Teatro Miguel Franco, em Leiria, e no domingo é projetado no Auditório Municipal da Batalha um conjunto de filmes sobre inclusão.

No meio do caos que a pandemia provocou na cultura, para o Leiria Film Fest sobre a consolação da maioria dos convidados previstos para este ano quererem marcar presença na próxima edição, “se as coisas assim o permitirem”. A opção pelo ‘online’ também compensa alguns custos à logística do festival, acrescenta Bruno Carnide.

“Muito do que tínhamos programado para este ano ficou adiado para o próximo, mas vamos aguardar com calma e acompanhar a situação para não cometermos nenhuma precipitação que nos cause novo transtorno”, sublinha o também realizador, surpreendido com a forma como o setor a reagir à situação:

“Inicialmente pensei que os próximos dois anos pudessem ser mais fracos, mas tenho visto que me enganei nessa previsão: a quantidade de curtas realizadas durante o confinamento é assustadora. É óbvio que a qualidade pode estar comprometida, devido a todos os fatores, mas existiu de facto uma grande vontade de continuar a produzir mesmo em tempos difíceis”.