A Polícia Federal do Brasil descartou esta segunda-feira a existência de qualquer ação criminosa no incêndio ocorrido em 2018 no Museu Nacional do Rio de Janeiro, que destruiu grande parte de uma coleção de 20 milhões de artefactos.

O incêndio no Museu Nacional terá começado com um aparelho de ar condicionado num auditório perto da entrada do edifício, de acordo com um comunicado sobre o encerramento do caso divulgado pela Polícia Federal.

O relatório pericial descartou a hipótese de que tenha ocorrido uma ação criminosa.

A polícia brasileira também informou que a conduta dos diretores do museu não constituiu negligência porque, em agosto de 2015, o Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro iniciou uma fiscalização no local, que não foi concluída.

Após a fiscalização, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a diretora do Museu Nacional iniciaram tentativas junto do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) para obter recursos e revitalizar o edifício que abrigava a coleção principal, invocando, entre outros motivos, a necessidade de adequação do local ao Código de Segurança contra Incêndio.

O contrato foi assinado em junho de 2018, porém o valor não foi desembolsado antes da ocorrência do incêndio.

Com base nas provas colhidas, a polícia brasileira frisou que “não caracterizou a conduta dos gestores como omissa, especialmente, porque faltava apenas a transferência da verba do BNDES para o Museu Nacional para que as obras se iniciassem”.

O Museu Nacional abrigava móveis e obras de arte pertencentes à antiga família real portuguesa, gravações de línguas indígenas, exemplares de animais e plantas como borboletas raras e corais, além de uma coleção de múmias e artefactos egípcios.

Alguns artefactos foram recuperados dos escombros, incluindo fragmentos de um crânio pertencentes a uma mulher chamada pelos cientistas de Luzia e cujo fóssil tinha a datação mais antiga dos restos humanos encontrados nas Américas.

O crânio era considerado um dos principais tesouros do Museu Nacional brasileiro.

O edifício do Museu Nacional que ardeu já foi um Palácio Real e serviu de sede do Império Português e do Império brasileiro antes de se transformar num museu, em 1892.