Cerca de 15 mil estudantes chumbaram no final do ensino secundário durante o ano letivo passado, o valor mais baixo em quase 20 anos. Em termos percentuais, os valores representam quase um quarto dos alunos — 22,6%. Apesar da tendência se manter, sendo no 12.º ano que maior número de estudantes reprova, os números têm estado em queda. No início dos anos 2000 este valor era quase o dobro, rondando os 33 mil estudantes, ou seja, mais de metade dos jovens chumbava no final do ensino obrigatório (52,5% em 2o01). Os números são da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), relativos ao ano letivo de 2018/2019, e são citados pelo jornal Público.

Chumbos continuam a diminuir, mas um quarto dos alunos do 12.º ano não passa de ano

Apesar de os números das retenções estarem em queda, o cenário global sofre poucas alterações. Os anos com mais chumbos continuam a ser, para além do 12.º ano, o 2.º e o 7.º ano de escolaridade. No ano letivo passado, logo no 2.º ano do ensino básico — e o primeiro em que chumbar é possível — perto de cinco mil crianças ficaram retidas, o que equivale a 4,9% do total de alunos.

Os dados da DGEEC mostram ainda que a queda no número de chumbos é transversal a todos os anos de escolaridade, um padrão que começou a desenhar-se em 2007.

Outra realidade que permanece inalterada é a ligação entre chumbos e estrato socioeconómico. Entre os alunos mais carenciados (que recebem apoios da ação social escolar de escalão A) a taxa de conclusão do secundário em três anos foi de 45%, menos de metade do total. Entre os estudantes que não precisaram de apoios sociais do Estado, o valor sobe para 60%.

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