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Contactos de Bolsonaro têm efeito dominó e obrigam a testar dezenas de pessoas

Visitas a seis estados, oito cerimónias, três encontros privados e várias reuniões. Bolsonaro terá estado em contacto com muitas pessoas. Presidentes das maiores empresas estão já em quarentena.

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Pelo menos dez ministros já foram testados e os presidentes das maiores empresas do país estão já em quarentena

AFP via Getty Images

Pelo menos dez ministros já foram testados e os presidentes das maiores empresas do país estão já em quarentena

AFP via Getty Images

A atarefada agenda do Presidente do Brasil, que foi diagnosticado com o novo coronavírus na terça-feira, obriga agora a que dezenas de pessoas com quem  teve contacto direto sejam testadas e vigiadas. Nos últimos 14 dias, pelo menos 66 políticos, empresários e outras personalidades estiveram próximas de Jair Bolsonaro, segundo apurou o jornal Folha de S. Paulo, através da agenda oficial do Presidente. Pelo menos dez ministros já foram testados e os presidentes das maiores empresas do país estão já em quarentena. Mas o rasto não fica por aqui: entre reuniões e cerimónias, Bolsonaro terá estado em contacto com centenas de pessoas. A imprensa brasileira tem tentado rastrear os potenciais infetados.

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Segundo a G1, pelo menos dez ministros que têm contacto regular com o Presidente brasileiro já fizeram o teste. Paulo Guedes (Economia), Fábio Faria (Comunicações), Walter Braga Netto (Casa Civil), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Ernesto Araújo (Relações Exteriores do Brasil), segundo informaram as assessorias dos governantes.

Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), o ministro interino António Vogel e Fernando Azevedo (Defesa), que teve contacto com um outro infetado, foram submetidos a testes na terça-feira, não sendo conhecidos ainda os resultados.

A imprensa brasileira avançou ainda que a avó da primeira-dama, de 80 anos, foi diagnosticada com coronavírus no dia 1 de julho, tendo sido internada no Hospital Regional de Santa Maria. Segundo a Globo, Maria Aparecida Firmo Ferreira, que começou a sentir sintomas cerca de 15 dias antes de ser internada, foi entubada no domingo, depois de o seu estado de saúde se agravar. Michelle Bolsonaro, primeira-dama do Brasil, também já foi testada, estando a aguardar o resultado

O presidente da Caixa Económica Federal, Pedro Guimarães, e o secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, fizeram também testes à Covid-19, que deram negativo.

O embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, que esteve em contacto com Bolsonaro no dia 4 de julho, foi também testado, tendo o resultado sido também negativo.

“O embaixador e a sra. Chapman testaram negativo e permanecerão em casa em quarentena. A embaixada dos EUA está a avaliar toda a equipa que pode ter sido exposta à Covid-19. A embaixada e os consulados continuam a seguir os protocolos do CDC [Centro de Controlo de Doenças norte-americano]”, indicou a embaixada dos Estados Unidos numa publicação no Twitter.

Depois de receberem a notícia, um grupo de presidentes das maiores empresas do país, como a Embraer, Localiza, BRF e Caoa, que estiveram em contacto com Bolsonaro, optaram por ficar em quarentena. Em declarações ao Folha de S. Paulo, a maioria garante estar a seguir as medidas de distanciamento social como forma de prevenção, estando a trabalhar a partir de casa, sendo que alguns foram já testados e aguardam os resultados.

Bolsonaro afirmou que decidiu realizar um novo teste à Covid-19 depois de sentir leves sintomas no domingo, tendo admitido na segunda-feira que estava com febre e dores no corpo. Na última transmissão em direto que fez no Facebook (2 de julho), no entanto, Bolsonaro tossiu em vários momentos, estando ao lado de seis pessoas, todas sem máscara.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o período de contágio (período entre a exposição ao vírus e o aparecimento de sintomas) é de 14 dias e uma pessoa infetada pode transmitir o vírus até seis dias antes de apresentar os primeiros sintomas, o que significa que Bolsonaro poderá ter contagiado centenas de pessoas mesmo antes de sentir leves sintomas. Tirou fotografias, deu apertos de mão e conversou sem preocupações: isto tudo sem utilizar máscara, segundo a análise feita pela imprensa brasileira (Folha de S. Paulo e Globo):

Terça-feira (23 de junho)

Jair Bolsonaro esteve presente na cerimónia de inauguração do Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P), em Brasília. Utilizou máscara, mas não cumpriu o distanciamento, tendo dado ainda vários apertos de mão e estado no meio de aglomerações de pessoas.

Quarta-feira (24 de junho)

Logo durante o café da manhã, já Bolsonaro estava em contacto com pelo menos 13 parlamentares. Ninguém usou máscara nem manteve a distância de segurança.

Quinta-feira (25 de junho)

O Presidente brasileiro começou o dia oficial com uma cerimónia do Programa VIGIA, de segurança de fronteiras, onde mais uma vez, apesar de utilizar máscara, não manteve a distância de segurança e distribuiu vários apertos de mão.

Já à noite, fez a transmissão semanal em direto no Facebook, ao lado do ministro da Economia e da tradutora. Nenhum dos três usava máscara.

Sexta-feira (26 de junho)

No dia da inauguração de uma obra no rio São Francisco, Bolsonaro esteve no meio da multidão, tirando a máscara várias vezes para tirar fotografias ou falar com apoiantes.

Sábado (27 de junho)

Num vídeo partilhado no Twitter, Bolsonaro aparece sem máscara no meio de uma multidão durante uma visita a Goiás e ao Triângulo Mineiro.

Terça-feira (30 de junho)

Bolsonaro reuniu-se com o presidente do Palmeiras, clube desportivo em São Paulo, sendo que a maioria dos presentes usaram máscara, menos o Presidente brasileiro e o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação do governo.

Quarta-feira (1 de julho)

O Presidente começou o dia com uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. De seguida, reuniu-se com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, o secretário do Desporto do Ministério da Cidadania, Marcelo Reis Magalhães, e o presidente da Rio Motorsports, José Antônio Pereira Júnior.

Ao longo do dia, em várias reuniões no Planalto, esteve também com Vítor Hugo, líder do governo na Câmara dos Deputados, Osmar Terra, deputado federal, Jorge Oliveira, ministro da Secretaria-Geral e José Levi Mello do Amaral Júnior, advogado-geral da União.

Numa ocasião extra-oficial, Bolsonaro devolveu um cão que morou durante semanas no Palácio da Alvorada ao seu dono. Com direito a aperto de mão e fotografia, Bolsonaro voltou a não utilizar máscara.

Quinta-feira (2 de julho)

A primeira reunião da manhã foi com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Mais tarde, reuniu-se com Fábio Ramalho, deputado federal.

Já de tarde, Bolsonaro reuniu-se com André Mendonça, ministro da Justiça, Jorge Oliveira e José Levi.

Numa nova transmissão semanal em direto, Bolsonaro, que tossiu em vários momentos, apareceu acompanhado por seis pessoas, todas sem máscara e muito próximas.

Sexta-feira (3 de julho)

Bolsonaro reuniu-se com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e com alguns empresários e ministros. Mais uma vez, as máscaras não foram utilizadas e a distância não foi mantida.

Sábado (4 de julho)

Depois de sobrevoar as áreas atingidas por um ciclone, em Santa Catarina, Bolsonaro trocou apertos de mão, tirou fotografias e esteve junto a várias pessoas, desrespeitando a distância de segurança.

Esteve ainda com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, a vice-governadora Daniela Cristina Reinehr e alguns parlamentares, onde terá utilizado máscara.

Mais tarde, participou na comemoração do dia da independência dos EUA, estando presente na embaixada norte-americana no Brasil, em Brasília, sem máscara.

Segunda-feira (6 de julho)

Um dia antes de ser diagnosticado com Covid-19, Bolsonaro reuniu-se com Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior, presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, durante a manhã.

Já de tarde, reuniu-se com os ministros da Economia, Casa Civil, Secretaria-Geral, Secretaria de Governo, Gabinete de Segurança Institucional durante a tarde. Mais tarde, esteve ainda com José Levi e Mário Frias, secretário da Cultura do Ministério do Turismo.

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