O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde afirmou esta quarta-feira que para financiar o aumento de despesas e quebra nas receitas fiscais no Orçamento Retificativo serão contraídos empréstimos a mais de 30 anos, que só começam a ser pagos em 2025.

Em nota divulgada pelo também ministro das Finanças, a propósito da primeira sessão parlamentar plenária de julho, que decorre entre esta quarta-feira e sexta-feira, e que deverá apreciar a proposta de Orçamento do Estado Retificativo para 2020, Olavo Correia advertiu que os “custos” da pandemia de Covid-19 “só podem ser abordados numa lógica intergeracional”.

“Ou seja, vamos contratar empréstimos concessionais a longo prazo, com período de maturidade de 30 a 40 anos, com período de carência de cinco anos em média, para nos dar tempo para recuperarmos a economia e gerarmos excedentes para irmos pagando a dívida ao longo do tempo”, assumiu.

O governo cabo-verdiano prevê endividar-se em quase 320 milhões de euros em 2020, devido ao impacto da Covid-19 nas contas públicas, um aumento de 75% face ao que consta do Orçamento do Estado em vigor. Segundo um documento de suporte à proposta de Orçamento Retificativo, noticiado anteriormente pela Lusa, o governo “prevê contratar 35.429 milhões de escudos [319,6 milhões de euros] para cobrir as necessidades de financiamento” das contas públicas até final deste ano.

Na mensagem divulgada esta quarta-feira, Olavo Correria explica que em termos de investimentos, o novo Orçamento prevê alocar mais de 3.000 milhões de escudos (27,2 milhões de euros) no setor da saúde, cerca de 600 milhões de escudos (5,4 milhões de euros) para proteger o rendimento das pessoas afetadas pela crise económica que se seguiu à pandemia, e mais 400 milhões de escudos (3,6 milhões de euros) para reforçar o setor da educação. Trata-se de cerca de 4.000 milhões de escudos (36,2 milhões de euros) “a mais” em relação à despesa inicialmente orçamentada para este ano.

Por outro lado, o governante destaca que foi possível reduzir cerca de 2.000 milhões de escudos no Orçamento em vigor, “cortando nas remunerações, nas viagens, nas deslocações, nas ajudas de custos, e em todas as outras despesas passivas de serem adiadas”.

“Com o contributo de todos os órgãos de soberania (Parlamento, Presidência da República, do Governo)”, explicou.

Contudo, o Orçamento, que segundo Olavo Correia será apreciado e “aprovado” esta semana no parlamento, tem “um buraco do ponto de vista das receitas” de cerca de 18 mil milhões (163 milhões de euros). “Somando a esse valor mais 2 milhões de contos [2.000 milhões de escudos, 18,1 milhões de euros], acima referidos, perfazem 20 milhões de contos [20.000 milhões de escudos, 181 milhões de euros]. Um montante que só pode ser financiado com recurso ao endividamento, porque os custos desta pandemia não podem ser suportados apenas no Orçamento Retificativo de 2020”, defende. Acrescenta que Cabo Verde vive “uma crise não só do ponto de vista epidemiológico, mas também uma crise económica e social muito forte”, tendo um “quadro desafiante” pela frente.

A proposta de Orçamento Retificativo para 2020 ascende a 75.084.978.510 escudos (679,1 milhões de euros), entre despesas e receitas, incluindo endividamento, o que representa um aumento de 2,6% na dotação inscrita no Orçamento ainda em vigor.