Dezanove coordenadores de unidades de Saúde do Alentejo Central questionaram a legalidade da mobilização de médicos para o lar de Reguengos de Monsaraz, numa carta enviada ao presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo.

Na carta, enviada ao presidente da Administração Regional de Saúde (ARS), José Robalo, e à Ordem dos Médicos (OM), à qual a agência Lusa teve acesso esta quarta-feira, os subscritores recordam que os médicos e enfermeiros do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central foram convocados para apoiar os utentes do lar, onde se verifica um surto de Covid-19.

Os coordenadores dizem que a ARS do Alentejo, em reunião em 30 de junho, os informou de que esta prestação de cuidados de saúde no Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) “seria feita em equipa de trabalho”, incluindo “dois médicos da área hospitalar”, um deles “de Medicina Interna”.

“Continuamos a questionar a legalidade desta medida, que consideramos arbitrariamente decidida”, pode ler-se na missiva dos 19 coordenadores de unidades de Saúde Familiar (USF) e de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) do distrito de Évora, datada desta segunda-feira. Na carta, dizem ter tido conhecimento de que, “pelo menos nos dias 4 e 5 de julho, o médico hospitalar da área da Medicina Interna não esteve presente”, o que contraria “o disposto na deliberação” da ARS, pelo que “é com enorme preocupação” que constatam “este incumprimento”.

“Tememos que o mesmo possa comprometer a qualidade dos cuidados prestados a estes utentes e, em última análise, conduzir a um desfecho mais gravoso”, pode ler-se.

Contactado esta quarta-feira pela agência Lusa, o presidente da ARS do Alentejo reconheceu que as posições que o organismo assumiu “não foram simpáticas para os profissionais”, mas “foram tomadas de forma consciente” e “porque foram necessárias”.

Os subscritores da carta afirmam que “este tipo de atitude autoritária” do presidente da ARS, com o envio de profissionais para o lar, “vem na linha” de uma decisão anterior do mesmo responsável, “quando deliberou que não haveria direito ao gozo de férias de 1 a 10 de julho”, também devido ao surto. Decisão essa que, alegam na carta, prejudicou “os funcionários a vários níveis, incluindo o monetário, visto já terem efetuado o pagamento antecipado da residência de férias”.

“Não tenha dúvidas” de “que a solidariedade entre colegas e o sentido e brio profissionais” funcionariam, “não sendo necessária tão impopular medida para conseguir uma escala ‘sem buracos'”, dizem ao presidente da ARS.

José Robalo argumentou à Lusa que “não foi porque apeteceu ao conselho diretivo da ARS” que estão suspensas até sexta-feira as férias dos profissionais de saúde ou foi decidida a mobilização destes para o lar. “Foram decisões fundamentadas e para que não houvesse ruturas nos serviços, quer em termos de férias, quer em termos de continuidade da prestação de cuidados. São posições legais e só foram tomadas porque fomos informados de que poderia haver essa rutura”, afirmou.

Os utentes do lar “são utentes do Serviço Nacional de Saúde” e têm “o direito de ser devidamente acompanhados em termos de cuidados de vigilância para, se tiverem qualquer alteração, poderem ser reencaminhados e internados no hospital em Évora”, justificou.