Inevitavelmente, o futuro da mobilidade será eléctrico e a Seat quer garantir que está apta não só a dar resposta às tendências dos consumidores, como também às próprias necessidades do Grupo Volkswagen. Por essa razão, o fabricante espanhol anunciou hoje em conferência de imprensa que pretende investir 5000 milhões de euros até 2025, ano em que espera começar a produzir, em Martorell, também veículos eléctricos.

Em concreto, os 5000 milhões destinam-se a projectos de I&D para novos modelos e a equipamentos e instalações. O objectivo maior é assegurar a electrificação da gama, mas o esforço financeiro também é justificado com preocupações sociais, tendo o presidente da Seat, Carsten Isensee, realçado que o investimento vai permitir manter postos de trabalho e sustentar a viabilidade da empresa. Actualmente, a Seat tem capacidade para fabricar 500 mil carros/ano, dos quais 80% são exportados, sendo responsável por 115 mil postos de trabalho directos e indirectos, distribuídos por três locais de produção (Seat Martorell, Seat Barcelona e Seat Componentes).

Questionado sobre se “2025 não seria tarde demais”, Isensee defendeu que não. Segundo ele, porque nessa altura os veículos eléctricos já representarão uma quota mais relevante do mercado e, depois, porque a transição para a mobilidade eléctrica não se pode fazer exclusivamente à custa dos fabricantes de automóveis. Para mais, a braços com o impacto da Covid-19 nas contas – a Seat, que vinha a trilhar um caminho de crescimento nos últimos anos e, inclusivamente nos primeiros dois meses de 2020, ressentiu-se da pandemia logo no primeiro trimestre e, com maior severidade no segundo, acreditando que conseguirá superar “parcialmente” a quebra na procura na segunda metade do ano. Este “esforço”, aliado à necessidade de reduzir as emissões de CO2 sob pena de incorrer em multas, leva a que o presidente da Seat inste a um maior envolvimento governamental para promover a mobilidade eléctrica. “A Seat está a fazer a sua parte, com os 5000 milhões de euros que vai investir. Mas é preciso que as administrações centrais, regionais e locais acompanhem este este investimento, nomeadamente em termos de infra-estrutura”, defendeu, para depois reconhecer que “o plano apresentado pelo Governo espanhol é um passo na direcção certa para continuar a desenvolver o sector automóvel”.

Outra das áreas em que o construtor espanhol vai cimentando os alicerces para o futuro passa pelo software. Uma área “nevrálgica” e que tem dado algumas dores de cabeça à Volkswagen, primeiro com o Golf e de forma mais evidente com o novo ID.3. A Seat posiciona-se para atalhar caminho com o Code, um novo centro de desenvolvimento de software que será criado nas Ramblas, também em Barcelona, onde uma equipa com mais de 150 programadores vai tratar de acelerar a transformação digital da empresa.