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A tendência para o abismo que Cervi para refletir sobre uma época falhada (a crónica do Famalicão-Benfica) /premium

Benfica escorregou em Famalicão (1-1), FC Porto ficou a um empate do título. A diferença é de oito pontos? Sim, mas não só. Porque os dragões aprenderam a ganhar e as águias não sabem estar a ganhar.

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Benfica voltou a ceder depois de ter estado em vantagem e já perdeu um total de 22 pontos nos últimos 36 disputados

Getty Images

Benfica voltou a ceder depois de ter estado em vantagem e já perdeu um total de 22 pontos nos últimos 36 disputados

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Pode-se gostar mais ou menos das imagens, do grafismo, das palavras escolhidas ou dos ângulos mas as capas dos jornais desportivos acabam por ser sempre um bom barómetro para medir onde está e para onde vai uma equipa e um clube. Esta semana foi um exemplo paradigmático disso mesmo, aplicando esta ideia à realidade do Benfica. É certo que Nelson Veríssimo sempre se colou muito a Bruno Lage, no discurso e na forma de ver o jogo, mas o facto de ter havido uma inversão nos resultados com um triunfo tranquilo frente ao Boavista depois das derrotas com o Santa Clara e o Marítimo levaria de forma inevitável a perguntas como ‘O que mudou? O que foi diferente? Como se explica a melhoria na exibição ou nos golos? O que mexeu com os jogadores?’. Mas não, não foi bem assim.

Benfica empata em Famalicão e adia título do FC Porto (pelo menos por mais uma jornada)

Vejamos então as principais chamadas de primeira página dos jornais desportivos depois do “Grito de Revolta” (Record), do “Vermilhíssimo” (Bola) e do “Arcanjo da Revolta” (Jogo) que se seguiu à vitória com os axadrezados, que manteve a esperança pelo menos matemática no título perante os seis pontos de atraso em relação ao FC Porto. Segunda-feira, dia 6: “Tudo por Jesus, conversações aceleram a partir de quinta-feira”, “Vieira enviou emissário ao Brasil para trazer Jesus”, “Eleições antecipadas em debate”. Terça-feira, dia 7: “Todibo é alvo prioritário, francês visto como alternativa ideal a Rúben Dias”, “Flamengo já sabe do interesse da águia em Jesus”, “Jesus e Vieira entendem-se”. Quarta-feira, dia 8: “Jesus tem cláusula de um milhão para Portugal”, “Veríssimo abre caminho a Jesus”, “Veríssimo até ao fim”. Quinta-feira, dia 9: “Garay é hipótese se Jesus regressar à Luz”, “Vieira que fechar treinador para a semana”, “Garay de volta à borla”. Sobre Famalicão e afins, pouco ou nada.

Perante este cenário, não é propriamente notícia dizer que o Benfica vive hoje entre duas realidades paralelas onde a que devia ser principal se tornou no mínimo secundária. Até em termos temporais, porque no presente só se fala no futuro sem que se perceba o que falhou no passado para o presente perder o palco que deveria ser seu. Entre as negociações para a contratação de um treinador para a próxima temporada, os nomes que se vão perfilando como possíveis reforços, a confirmação da recandidatura de Luís Filipe Vieira ao sexto mandato num contexto em que ganha forma um movimento alternativo como nunca teve de enfrentar no clube em 17 anos, o aumento do limite máximo do empréstimo obrigacionista que termina amanhã e até a posição do presidente encarnado na Operação Lex mesmo sendo um processo que nada tem a ver com o clube, tudo teve uma exposição maior do que as últimas quatro jornadas do Campeonato sendo ainda possível chegar ao título.

“Foi-nos colocada a tarefa de orientar a equipa até final da época e o foco está aí. Estava integrado numa equipa técnica com ideias com as quais me identifico. A linha de raciocínio será a mesma mas com outra dinâmica que possa ser implementada em função dos jogadores à disposição e do adversário”, comentou Nelson Veríssimo no lançamento do jogo em Famalicão, antes das inevitáveis perguntas extra jogo. “Jesus? Percebo a questão, tem sido colocada muitas vezes mas não me diz respeito. Boa solução? Isso para o Benfica passa por ganhar. FC Porto? Nem sabia que joga antes de nós, sinceramente. Isto para dizer que sabemos o que temos de fazer, que é ganhar os quatro jogos que faltam e é com esse espírito que vamos para jogo”, disse, antes de falar do adversário.

“Temos de ser uma equipa organizada e equilibrada. Vamos defrontar um adversário que está a fazer um excelente Campeonato e temos de estar bem em todos os momentos do jogo mas o nosso pensamento passa pela vitória. A cara de quem ganha é sempre diferente da cara de quem não ganha e a vitória traz outra forma de estar. Foi o que aconteceu connosco nestes dias”, ressalvou, antes de dizer também que o Famalicão, que ia a jogo com várias ausências por lesão e castigo, tem uma forma de jogar “idêntica a um grande”. Um Famalicão que já conseguira ganhar ao FC Porto, que já conseguira ganhar ao Sporting e que deu muita luta aos encarnados nas meias da Taça de Portugal apesar da goleada sofrida na Luz na primeira volta por 4-0, a meio de dezembro.

Sabendo de forma antecipada o resultado do FC Porto em Tondela, e tendo esse peso extra de não poder perder o encontro para evitar a festa do rival já nesta jornada, o Benfica conseguiu transformar uma pressão a mais numa exibição sem pressão durante 60 minutos. Não foi a melhor, não foi perfeita mas podia ter sido suficiente para sair de Famalicão com uma vitória. Não chegou. E não chegou porque se a época dos encarnados foi curta, o jogo não fugiu a essa realidade. Aliás, foi um espelho. O golo de Pizzi, o médio com mais golos na Europa que está apenas a três de igualar os 32 de Bruno Fernandes que são recorde nas principais ligas, representou o grito de revolta de um grupo que falhou quando não podia falhar mas que achou não merecer ser atirado para um papel secundário; a parte final da segunda parte, depois das substituições que uns souberam fazer e outros nunca conseguiram responder, mostrou a razão pela qual tudo parece interessar mais hoje do que o que faz a equipa.

Ficha de jogo

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Famalicão-Benfica, 1-1

31.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Famalicão

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

Famalicão: Defendi; Riccieli, Patrick William (Ivo Pinto, 65′), Roderick Miranda, Coly (Alex Centelles, 81′); Gustavo Assunção, Uros Racic, Pedro Gonçalves (Guga, 81′); Fábio Martins, Rúben Lameiras (Walterson, 65′) e Del Campo (Anderson, 56′)

Suplentes não utilizados: Vaná, Ofori, Nehuen Perez e João Neto

Treinador: João Pedro Sousa

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Nuno Tavares; Weigl, Gabriel (Samaris, 81′); Pizzi (Jota, 87′), Chiquinho, Cervi (Rafa, 81′) e Seferovic (Carlos Vinícius, 66′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Tomás Tavares, Ferro, Zivkovic e Dyego Sousa

Treinador: Nelson Veríssimo

Golos: Pizzi (37′) e Guga (84′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Cervi (7′), Weigl (24′), Roderick Miranda (37′), Pedro Gonçalves (45′), Gabriel (57′)

Um pouco à semelhança do que aconteceu na Madeira frente ao Marítimo, o Benfica entrou a todo o gás. Ganhou os sete duelos disputados, conseguiu 75% de posse, fez quatro remates à baliza incluindo um muito perigo através de Cervi, não deixou o Famalicão sair em transições. A única diferença foi o protagonista, com Chiquinho a passar a batuta ao argentino sempre inteligente a ir ao lado direito criar superiores numéricas e a saber jogar bem nos espaços entre linhas – a pilha não aguentou para o jogo todo mas, enquanto a teve, foi o melhor em campo dos encarnados. O esquerdino ainda se ficou a queixar de uma grande penalidade num lance com o central Roderick Miranda, algo que aconteceria pouco depois com Pedro Gonçalves e Vlachodimos na área contrária, mas Jorge Sousa e o VAR mandaram seguir ambos os lances. Pizzi, aos 15′, teve outra ameaça à baliza.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Famalicão-Benfica em vídeo]

Aos poucos, o Famalicão ia conseguindo assentar mais o seu jogo, conseguindo fazer chegar mais bola a Pedro Gonçalves e Fábio Martins. O primeiro teve mesmo o remate mais perigoso dos visitados no primeiro tempo, para grande defesa de Vlachodimos, mas essa melhoria estava muito assente na capacidade que as unidades do meio-campo para a frente tinham em partir o jogo para encontrarem aí o espaço para as transições. Durante alguns minutos os encarnados sentiram essa dificuldades mas quando Weigl e Gabriel agarraram novamente o corredor central, o Benfica voltou a ser melhor e chegou mesmo ao primeiro golo, com Pizzi a surgir de forma oportuna na área a fazer a recarga a defesa incompleta de Defendi após cruzamento de Cervi e remate de Seferovic (37′).

Com Chiquinho menos interventivo pelo corredor central, jogando numa zona entre o apoio a Seferovic e a ajuda a Gabriel, o Benfica ia conseguindo sair melhor pelo lado esquerdo, utilizando a ligação Nuno Tavares-Cervi até fazer a bola entrar no último terço ou em zonas de finalização. Essa foi uma das correções do Famalicão para o segundo tempo, numa missão que no arranque ficou a meio porque subsistiam as dificuldades em fazer chegar bola com qualidade aos criativos da equipa e, ao mínimo desequilíbrio posicional, os encarnados aproveitavam de imediato para saírem rápido e chegaram à baliza de Defendi, como aconteceu num lance onde Chiquinho rematou forte para defesa do brasileiro antes da recarga de Pizzi sair pouco ao lado da baliza famalicense (59′).

No meio da dança das substituições, e parece que não mas quando são todas na segunda parte dá uns ares de jogo de pré-temporada, o Famalicão ficou a ganhar muito mais: 1) ganhou outra participação dos laterais nas jogadas ofensivas, criando zonas de superioridade numérica que permitiram por exemplo criar lances como o que originou o golo do empate por Guga; 2) reforçou a capacidade num jogo mais vertical com Walterson a trazer outro tipo de dificuldades a André Almeida; 3) controlou pela primeira vez o corredor central, que ao longo de muitos minutos foi dominado pelos encarnados até a uma quebra física que começou a deitar tudo a perder. Fábio Martins já tinha acertado no poste, Walterson teve dois remates em arco com muito perigo e o 1-1 acabou por ser um prémio pela capacidade que João Pedro Sousa teve em ler o encontro do banco para mudar as suas circunstâncias.

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