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Danilo, o capitão que já entra de braçadeira mesmo quando sai do banco (a crónica do Tondela-FC Porto) /premium

Danilo entrou na primeira parte e recebeu logo a braçadeira de Pepe. Depois do intervalo, abriu o marcador e a vitória do FC Porto, que bateu o Tondela e ficou a uma vitória de ser campeão (1-3).

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O internacional português ainda não tinha marcado qualquer golo esta temporada

Ivan Del Val/Global Imagens

O internacional português ainda não tinha marcado qualquer golo esta temporada

Ivan Del Val/Global Imagens

A 25 de janeiro, Sérgio Conceição colocou o lugar à disposição. O FC Porto tinha acabado de perder a final da Taça da Liga, derrotado pelo Sp. Braga, e o treinador dos dragões garantiu logo na flash interview que só continuaria à frente da equipa se Pinto da Costa quisesse. O presidente quis, Sérgio ficou, a obra nasceu. Mais de cinco meses depois, esta quinta-feira, o FC Porto estava a um pequeno passo de conquistar novamente a Primeira Liga e tornar memorável uma temporada atípica em toda a linha.

Mas não foi fácil. O FC Porto chegou a estar a sete pontos do Benfica, com o título praticamente fora do horizonte, e perdeu precisamente um dos troféus internos para o Sp. Braga. No meio de tudo isto, os dragões conseguiram garantir um ponto importante: venceram o principal rival tanto na primeira como na segunda volta, tanto na Luz como no Dragão, e adquiriram desde logo uma vantagem que tornou mais confortáveis as primeiras semanas da retoma em que as duas equipas trocavam de lugar a cada jogo.

Ficha de jogo

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Tondela-FC Porto, 1-3

31.ª jornada da Primeira Liga

Estádio João Cardoso, em Lisboa

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)

Tondela: Babacar, Moufi, Philipe Sampaio, Yohan Tavares (Filipe Ferreira, 68′), Ricardo Alves, Pepelu, Jaquité, João Pedro (Murillo, 61′), Jonathan Toro (Strkalj, 84′), Richard (Xavier, 68′), Pité (Ronan, 68′)

Suplentes não utilizados: Diogo Silva, Jota, Pedro Augusto, Tiago

Treinador: Natxo González

FC Porto: Marchesín, Wilson Manafá, Pepe, Mbemba, Alex Telles (Fábio Vieira, 67′), Otávio, Sérgio Oliveira (Danilo, 38′), Uribe (Diogo Leite, 84′), Corona, Soares (Luis Díaz, 67′), Marega

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Tomás Esteves, Zé Luís, Fábio Silva, Vítor Ferreira

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Danilo (47′), Marega (64′), Ronan (gp, 77′), Fábio Vieira (gp, 90+5′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Corona (41′), a Ricardo Alves (45+1′), a Jaquité (49′), a Alex Telles (59′), a Uribe (71′), a Xavier (90+1′), a Marega (90+5′)

O falhanço do Benfica na hora de fazer xeque-mate no jogo do Dragão, os deslizes dos encarnados ainda antes da paragem das competições, o recomeço totalmente desastroso que culminou com a saída de Bruno Lage — são estas as três linhas que deixaram o título à mercê do FC Porto. A equipa de Sérgio Conceição, porém, fez o próprio trabalho. Soube recuperar depois da derrota com o Famalicão na primeira jornada da retoma, manteve o sangue frio para golear o Boavista e deixar o Benfica a seis pontos depois da derrota dos encarnados na Madeira e não perdeu a concentração por estar à beira de conseguir algo que a 25 de janeiro, no dia em que Sérgio Conceição ficou com um pé fora do Dragão, parecia impossível de alcançar.

Tudo podia culminar, novamente, nesta quinta-feira. O FC Porto visitava o Tondela e precisava de ganhar para ficar à espera de uma eventual derrota do Benfica em Famalicão e ser campeão nacional quando ainda faltam disputar outras três jornadas. Sérgio Conceição, tal como tinha adiantado na conferência de imprensa, não fez qualquer alteração no onze inicial e voltava a deixar Danilo e Luis Díaz no banco para colocar Uribe e Sérgio Oliveira no setor intermédio, com Manafá na direita da defesa e Corona numa posição mais adiantada. Do outro lado estava uma equipa aflita, apenas três pontos acima da zona de despromoção mas que já tinha recebido duas boas notícias esta jornada, graças às derrotas tanto do V. Setúbal como do Portimonense.

Com cerca de 300 elementos dos Super Dragões instalados numa unidade hoteleira mesmo ao lado do Estádio João Cardoso, o FC Porto não podia contar com o apoio dos adeptos nas bancadas mas tinha, pelo menos, uma enorme tarja no muro do dito hotel e algum barulho que chegava ao relvado. A equipa de Sérgio Conceição assumiu o natural favoritismo e a posse de bola, colocando-se muito subida no terreno e à procura da profundidade das laterais, principalmente no lado esquerdo. A melhor oportunidade do primeiro tempo apareceu ainda antes de estar cumprido o quarto de hora inicial, com Marega a obrigar Babacar a uma grande defesa com um cabeceamento na sequência de um cruzamento de Corona na esquerda (12′), mas o FC Porto perdeu intensidade e gás com o passar dos minutos.

O Tondela, muito organizado, não arriscava desequilibrar os setores mas também não abdicava de procurar chegar mais à frente no relvado, sem deixar espaços evitáveis nas costas. Normalmente por intermédio de Jonathan Toro, que quase não falhou passes nem cruzamentos e era o elemento mais inconformado da equipa de Natxo González, os beirões conseguiram terminar a primeira parte com o dobro dos remates do FC Porto, ainda que nenhum tenha saído enquadrado na baliza e Marchesín.

Até ao fim de um primeiro tempo em que os dragões tiveram progressivamente mais dificuldades para quebrar as linhas defensivas do Tondela — muito próximas e compactas, para além de espaçadas na horizontal para travar a velocidade de Otávio na esquerda e Corona na direita –, Sérgio Conceição ainda sofreu outras duas contrariedades. Sérgio Oliveira ficou lesionado depois de um choque violento com João Pedro e acabou por ser substituído por Danilo, enquanto que Corona viu o quinto amarelo da temporada e ficou desde logo de fora da receção ao Sporting na próxima semana. Ao intervalo, e depois de 45 minutos de futebol que não foram extraordinários, o FC Porto percebia que iria ter de desmontar a muralha do Tondela para cumprir a própria tarefa e ficar à espera do Benfica.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Tondela-FC Porto:]

O FC Porto entrou na segunda parte assim como entrou na primeira: com maior intensidade, velocidade e acutilância, longe da lentidão de movimentos que mostrou nos instantes antes do intervalo. A grande defesa para o primeiro tempo, contudo, esteve no golo. Logo nos primeiros minutos do segundo tempo, Danilo abriu o marcador com um cabeceamento ao primeiro poste na sequência de um canto batido na direita, com Babacar a ficar mal na fotografia com uma saída mal medida (47′). O médio internacional português estreou-se a marcar esta temporada, já que não fazia golos desde maio do ano passado, e assumiu a dianteira da equipa depois de ter entrado no primeiro tempo para recuperar logo a braçadeira, já que Pepe fez questão de a entregar a Danilo.

Apesar do golo sofrido, o Tondela não desistiu por completo do resultado e continuou a procurar sair, sempre que possível, do próprio meio-campo. Ainda assim, foi na melhor fase da equipa de Natxo González, quando os beirões estavam a soltar-se da pressão adversária, que o FC Porto acabou por chegar ao segundo golo. Marega começou o lance, com uma recuperação de bola na zona intermédia, e finalizou com um remate na diagonal (64′), já depois de um passe brilhante de Corona que fez a 20.ª assistência da época.

Alex Telles e Uribe viram cartão amarelo, ficando também ambos fora do Clássico de quarta-feira com o Sporting, e tanto Sérgio Conceição como Natxo González fizeram várias alterações para refrescar as respetivas equipas. Numa fase em que o Tondela continuava algo subido no terreno mas já com menos discernimento, Uribe acabou por cometer grande penalidade sobre Toro e abriu à porta à redução da desvantagem por parte de Ronan (77′) — num golo que foi não só o primeiro que o FC Porto sofreu em cinco jogos como o primeiro que os beirões alguma vez tinham marcado aos dragões em casa. Depois da redução da desvantagem, o Tondela voltou a acreditar que poderia chegar ao empate e deixou o FC Porto muito desconfortável no jogo, com Sérgio Conceição a reagir com a entrada de Diogo Leite para formar uma linha defensiva de cinco elementos.

Até ao fim, e apesar dessa instabilidade criada pela fragilidade do resultado, o FC Porto conseguiu segurar a vantagem e chegou mesmo ao terceiro golo, por intermédio de uma grande penalidade convertida pelo jovem Fábio Vieira (90+5′). Os dragões venceram um jogo em que não foram brilhantes nem particularmente intensos mas souberam ser eficazes o suficiente para agarrar a vitória e ficar a apenas uma outra de conquistar a Primeira Liga. E para isso, muito contribuiu Danilo: o capitão que tem perdido preponderância mas que recebe a braçadeira assim que entra em campo e assumiu a liderança de um resultado importante.

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