Velocidade, força, acutilância e imprevisibilidade. Numa entrevista concedida no ano passado, Rene Meulensteen, antigo adjunto de Alex Ferguson no Manchester United, definia desta forma, apenas em quatro palavras que são muito mais do que isso transformadas em ideias, os segredos que permitiram mais de 25 anos de sucesso que não só mudaram o clube mas também a própria face da Premier League. “Quando ele saiu, essa identidade foi com ele”, destacou, numa explicação para a sucessão de treinadores que foram passando por Old Trafford sem sucesso como David Moyes, Ryan Giggs, Louis Van Gaal (ganhou uma Taça de Inglaterra) e José Mourinho (conquistou no ano inicial uma Liga Europa, uma Taça da Liga e uma Supertaça). Campeonatos a partir daí, zero.

Mais até do que a seca de títulos, o Manchester United deixou crescer o fosso para aquelas que são hoje as duas melhores equipas de Inglaterra e duas das melhores do mundo. Aos poucos, alguns sinais positivos foram surgindo como a evolução de jogadores como Rashford ou Martial, o “aparecimento” de McTominay ou Greenwood ou o investimento em referências como Maguire. Faltava algo ainda assim para que a formação de Solskjaer conseguisse ter mais qualidade e ser mais regular, algo que a imprensa inglesa tem poucas dúvidas que tenha aparecido a partir de janeiro com Bruno Fernandes. Mais do que os resultados e as exibições, que melhoraram muito, a metamorfose de Paul Pogba após longo período de ausência é exemplo paradigmático desse crescimento coletivo.

Mas foi o clube que puxou pelo português ou o português que puxou pelo clube? “Creio que funciona para os dois lados. O Bruno chegou, viu quantos bons jogadores há no United e também o temos ajudado. Está a desenvolver-se uma bonita relação e ele também sente que o estamos a ajudar a melhorar. Ele juntou-se a nós e elevou todos, por isso foi um excelente arranque até agora”, salientou Solskjaer, treinador dos red devils, no lançamento do encontro com o Aston Villa onde a equipa partia com o propósito de dar continuidade à atual série de 12 vitórias e quatro empates entre Campeonato, Taça de Inglaterra e Liga Europa (a última derrota foi a 22 de janeiro). E voltando a Rene Meulensteen, sem ser “burocrático, lento, com demasiados passes e pouca velocidade”.

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