Os Estados Unidos da América queixam-se de estarem muito isolados no apoio humanitário em África, com o chefe da diplomacia norte-americana a acusar esta quinta-feira os países ocidentais de permitirem que a China desenvolva a sua influência naquele continente.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse esta quinta-feira que os países europeus estão “muito ausentes” na ajuda humanitária de que África precisa, sobretudo em momentos de crise, como os que se vivem, com a pandemia de Covid-19.

Numa conferência telefónica com jornalistas estrangeiros, em que a Lusa participou, o chefe da diplomacia dos EUA mostrou-se preocupado com a forma como a China está a usar a sua influência económica em África, com “pretextos humanitários”.

Perante a ausência de outras ajudas, nomeadamente dos países europeus, a China está a usar a ferramenta económica em África para se apresentar sob pretextos humanitários, que, na verdade, não são nada altruístas. O Partido Comunista Chinês quer sempre alguma coisa em troca”, denunciou Mike Pompeo.

O secretário de Estado norte-americano lamentou que os países europeus não acompanhem o seu país nos esforços de ajuda junto dos países africanos, dando espaço a um incremento da influência chinesa na região.

Pompeo referiu mesmo o exemplo de Moçambique, dizendo que a falta de apoio ocidental a este país em desenvolvimento está a permitir os avanços chineses em larga escala, a nível de investimentos em variados setores.

Eles (chineses) usam meios pouco lícitos. Eles subornam para conseguir ficar com rentáveis negócios, sob a forma de ajuda económica e humanitária. Mas acabam por ficar sempre em vantagem. Acabam por ganhar influência e retirar proveito financeiro”, explicou Pompeo.

A situação torna-se ainda mais dramática em situações de crise, como as que são provocadas pelas pandemias, como a de Covid-19 ou de ébola, diz o secretário de Estado, acusando as organizações internacionais de não atuarem.

Pompeo citou a falta de resposta da Organização Mundial de Saúde (OMS) como exemplo da ausência das instituições junto dos países africanos, aumentando o sentimento de impotência de organismos democráticos nessa região.

O chefe da diplomacia norte-americana referiu que a forma como a OMS tem falhado em África, durante a pandemia de ébola ou de Covid-19, é ilustrativa da incompetência deste organismo sob tutela da ONU, que os Estados Unidos formalmente abandonaram esta semana.

Pompeo repetiu as acusações de que a OMS não foi eficaz durante a atual pandemia e de que esteve mais preocupada em justificar as falhas do Governo chinês do que em ajudar os países necessitados, nomeadamente em África.

Tentámos todas as reformas (junto da OMS) e todas falharam”, acusou Pompeo, voltando a dizer que aquele organismo se mostrou incapaz na luta contra a pandemia.

“Ainda não sabemos quem foi o paciente zero, na China. Ainda não sabemos o que fez a OMS na fase inicial da pandemia, quando a China não reconhecia os riscos que estavam iminentes”, denunciou o chefe da diplomacia dos EUA.