O antigo advogado pessoal do Presidente norte-americano e a pessoa que lhe resolvia os problemas, Michael Cohen, regressou à prisão federal, semanas depois de ser colocado em casa, devido à pandemia do novo coronavírus.

A informação foi divulgada esta quinta-feira pelo serviço federal das prisões (BOP, na sigla em inglês).

Em declaração enviada à AP, o serviço das prisões afirmou que Cohen tinha “recusado as condições do seu confinamento doméstico e, em consequência, regressou a uma instalação do BOP”.

O seu regresso à prisão acontece dias depois de o New York Post ter publicado fotografias com Cohen, mulher e amigos a desfrutar de uma refeição num restaurante nas proximidades da sua casa, em Manhattan.

Cohen, que se declarou culpado de evasão fiscal, fraude no financiamento eleitoral e mentir ao Congresso, foi retirado da prisão, para ficar em casa, como parte dos esforços de contenção da propagação do novo coronavírus nas prisões federais.

Com 53 anos, Cohen começou a cumprir a sua sentença em maio de 2019 e deveria ficar preso até novembro de 2021.

A condenação de Cohen resultou de crimes como fuga ao fisco, em quatro milhões de dólares (3,5 milhões de euros) do seu negócio de táxis, mentir ao Congresso sobre o calendário das discussões de um plano, entretanto abandonado, de construir uma Torre Trump em Moscovo e de orquestrar pagamentos a duas mulheres para as impedir de falar em público sobre alegadas relações com o Presidente dos EUA, Donald Trump.

Cohen foi um dos colaboradores mais próximos de Trump, mas tornou-se num destacado crítico depois de se ter declarado culpado.

Um juiz federal tinha negado a Cohen a pretensão da passagem à situação de prisão domiciliária ao fim de 10 meses e, em maio último, considerou que isso “parecia ser apenas outro esforço para [Cohen] se projetar a ele próprio no ciclo noticioso”

Mas o BOP pode transferir presos para a detenção domiciliária sem uma ordem judicial.

Advogados de detidos e os líderes partidários do Congresso têm pressionado o Departamento da Justiça para transferir presos em situação de risco, com o argumento de que a orientação de saúde pública de guardar uma distância de dois metros de outras pessoas é praticamente impossível de cumprir nos estabelecimentos prisionais.

O procurador-geral, William Barr, ordenou ao BOP que aumentasse o uso da prisão domiciliária e acelerasse a transferência para detidos em situação de alto risco, começando com três prisões identificadas como foco da pandemia.

Otisville, onde Cohen estava preso, não é uma das destas instalações prisionais.