Se o futebol fosse ténis, a dúvida era apenas perceber se a deslocação do Benfica ao Dragão com sete pontos de vantagem era um set point (minoria) ou um match point (maioria). O FC Porto, ainda ferido pela derrota (mais uma) na final da Taça da Liga e as declarações de choque de Sérgio Conceição para dentro, aguentou o serviço, cumpriu a missão e ganhou. A partir daí, o Campeonato tornou-se naquele videoclip da Hello em que Bob Sinclair ganha todos os pontos e parece imparável mas de repente Martin Solveig com um mero clique vira a história de pernas para o ar. Ou melhor, houve uma diferença: os dragões tiveram também as suas bolas perdidas, como a derrota em Famalicão ou as igualdades com Rio Ave e nas Aves. Mesmo assim, nada impediu essa inversão.

A tendência para o abismo que Cervi para refletir sobre uma época falhada (a crónica do Famalicão-Benfica)

Há muitas razões para o descalabro do Benfica depois das 18 vitórias nos 19 primeiros encontros da Primeira Liga mas existe sobretudo um número que faz toda a diferença: nas últimas 12 jornadas, os encarnados somaram 14 em 36 pontos possíveis. Ou seja, e olhando para toda a segunda volta, têm tantas vitórias (5) como empates (5) e quase tantas derrotas (4), perdendo 61% dos pontos disputados contra apenas 19% do FC Porto. E com isso apresentam a pior pontuação (68) e o pior ataque (63) à 31.ª jornada desde 2005/06, após o título de Trapattoni.

“O empate é o que é. Saímos daqui frustrados pelo resultado contra um Famalicão que é uma boa equipa, difícil. Foi um jogo equilibrado mas podíamos ter saído daqui com outro resultado. Acabámos por sofrer um golo na parte final do encontro, mas os meus jogadores estão de parabéns pelo jogo que fizeram aqui frente a uma boa equipa que fez até agora um grande Campeonato”, começou por analisar Veríssimo na flash interview da SportTV.

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“As equipas conhecem-se muito bem e daí ter sido um jogo equilibrado. Em alguns períodos o Famalicão mais por cima do jogo, noutros o Benfica. Queria sublinhar que devíamos sair daqui contentes, não com o resultado, mas pela exibição da equipa. Mais uma vez, tenho de dar os parabéns aos jogadores pela exibição”, continuou, antes de frisar que o triunfo do FC Porto em Tondela pouco antes da equipa entrar em campo não teve influência no que os jogadores fizeram depois frente ao Famalicão: “Não mexeu. Nós sabemos que só temos um caminho, que é só ganhar, independentemente do que acontece com outras equipas e noutros jogos”.

“O foco tem sido sempre jogo a jogo. Foi assim com o Boavista, foi assim hoje com o Famalicão e será assim com o V. Guimarães. Só temos um caminho, que é ganhar, e é assim que vamos continuar”, rematou o treinador do Benfica, lançando já o próximo encontro na Luz, na terça-feira, antes do clássico entre FC Porto e Sporting.

“Fizemos um jogo com muita qualidade, merecíamos a vitória. Sofremos um golo e acabámos por empatar. Há que continuar a trabalhar, há que levantar a cabeça. O nosso nível de jogo está a correr bem. Estamos a jogar com qualidade mas temos de ‘fechar’ o jogo. Controlámos o jogo quase todo o jogo e num lance nos últimos minutos acaba por surgir o empate. Merecíamos muito a vitória. O título está muito complicado mas enquanto tivermos oportunidades vamos lutar até ao fim e há uma final da Taça para jogar. Temos de continuar a trabalhar, ver os erros que cometemos no jogo e levantar a cabeça”, resumira Cervi antes na zona de entrevistas rápidas.