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Kraev, o poeta que traiu o anti-romantismo de Ivo (a crónica do V. Guimarães-Gil Vicente)

Este artigo tem mais de 2 anos

Ivo Vieira afastou o romantismo na antevisão e foi traído pelo poeta Kraev, que perdeu a titularidade nos últimos jogos mas deu a vitória ao Gil contra o V. Guimarães já no nono minuto de descontos.

O jogador búlgaro entrou já na segunda parte
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O jogador búlgaro entrou já na segunda parte

LUSA

O jogador búlgaro entrou já na segunda parte

LUSA

Em junho do ano passado, Paulo Sousa confessava-se um dos últimos românticos do futebol. Reconhecia que era uma tendência fora de moda, que o pragmatismo estava mais in e que o mais importante era ganhar ao invés de jogar bem. Mas não conseguia fugir à ideia da beleza das jogadas, da nota artística da construção e da poesia em movimento.

“Sou um romântico, gosto de que as minhas equipas sejam muito poéticas. Há dois jogadores determinantes numa primeira fase de construção: o guarda-redes e o médio de construção. Esse médio é realmente um jogador fundamental”, explicou o atual treinador do Bordéus, numa entrevista à Agência Lusa. Esta semana, na antevisão da receção ao Gil Vicente, era Ivo Vieira quem tomava a dianteira pela escola de pensamento contrária.

“Se a equipa está menos romântica? O romantismo e os casamentos não são chamados para os jogos, embora vocês [os jornalistas] possam utilizar muitas vezes esses termos. A equipa não estava tão disponível do ponto de vista físico como esteve numa fase intermédia da época. É normal que isso aconteça, devido ao cansaço, ao número de jogos disputados e depois à paragem do Campeonato. Todos sentiram isso”, disse o técnico do V. Guimarães, para explicar o facto de a equipa estar agora mais preocupada com o resultado final do que a forma de lá chegar.

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E a verdade é que esse pragmatismo, pelo menos nas últimas semanas, tem vindo a resultar. Depois de uma entrada lenta na retoma, com três empates e uma derrota nos quatro primeiros jogos, o V. Guimarães conseguiu encarrilar em duas vitórias seguidas, contra o V. Setúbal e o Portimonense, e recebia esta sexta-feira o Gil Vicente para chegar ao terceiro resultado positivo consecutivo e manter-se na corrida pelas competições europeias. Do outro lado, e depois de uma vitória frente ao Rio Ave, uma das equipas mais difíceis de defrontar na Liga logo após os “três grandes”, estava o Gil de Vítor Oliveira, particularmente confortável na tabela e à procura de uma vitória para saltar para a primeira metade da classificação.

Numa primeira parte equilibrada, o V. Guimarães foi quase sempre melhor e mais dominador mas decidiu frequentemente mal no último terço do meio-campo adversário. O exemplo paradigmático dessa dinâmica surgiu por volta do quarto de hora, quando André André apareceu isolado na cara de Denis mas demorou demasiado tempo para tomar uma decisão e acabou por fazer um passe inexplicável (14′). Do outro lado, Hugo Vieira teve nos pés a melhor oportunidade dos gilistas, ao aproveitar uma desatenção da defesa vimaranense para tentar surpreender Douglas (13′), mas o chapéu saiu por cima da baliza.

Na segunda parte, a lógica pouco ou nada se alterou. O V. Guimarães continuava a ser a equipa que mais procurava a vitória e o Gil Vicente, também fruto do calor e do progressivo cansaço físico, recuava cada vez mais no terreno e deixava de ter argumentos para ir em busca do meio-campo adversário. Sem uma pressão muito alta nem intensa, mas principalmente alargada e em formato horizontal, os vimaranenses conseguiram ir empurrando a equipa de Vítor Oliveira para junto da própria baliza, ainda que sem criar oportunidades evidentes. O golo inaugural, ainda assim, apareceu já a menos de meia-hora do apito final, num lance com pormenores deliciosos — a que nem o pragmático Ivo Vieira deve ter ficado indiferente.

Marcus Edwards recebeu a bola tombado na direita na grande área, deixou um adversário para trás com uma finta de corpo perfeita e outro pregado ao chão com uma mudança de rumo, assistindo depois Bruno Duarte, que só precisou de encostar para marcar pelo segundo jogo consecutivo e colocar o V. Guimarães em vantagem (63′). Já nos descontos, porém — e num jogo que teve 10 minutos para lá dos 90 regulamentares –, Rúben Ribeiro empatou (90+3′) e Kraev, que entretanto tinha entrado na segunda parte, aproveitou um momento de descoordenação do V. Guimarães para confirmar a reviravolta e a vitória do Gil (90+9′).

A equipa de Ivo Vieira falhou a terceira vitória seguida e falhou também a colagem ao Famalicão no sexto lugar. Já o Gil Vicente somou o segundo resultado positivo, chegou ao 9.º lugar, garantiu desde já a manutenção e traiu o anti-romantismo de Ivo Vieira, que a dada altura parecia ter a resposta nos versos em movimento das fintas de Marcus Edwards.

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