No final do jogo, de colete vestido já depois de ter sido substituído no último quarto de hora e com a máscara azul pendurada no braço esquerdo, Paulinho dirigiu-se do banco para o centro do relvado com um objetivo. Pelo meio saudou companheiros de equipa e cumprimentou de forma respeitosa os adversários mas aquilo que mais queria era mesmo a bola do jogo (ou pelo menos aquela que estava em campo quando Carlos Xistra deu o apito final). Agarrou nela, colocou-a debaixo do braço e levou-a para casa. Como se percebeu ao longo do dia nas televisões ou nas rádios, muito focado no quarto aniversário da conquista do Europeu, o 10 de julho é uma data que ninguém esquece. A partir desta noite, o avançado nascido em Barcelona tem mais uma recordação na carreira.

Em entrevista ao Expresso durante a pandemia, Paulinho, avançado que foi cobiçado pelo Sporting nas últimas janelas de mercado mas que viu sempre os pedidos dos minhotos serem mais elevados do que os leões estariam dispostos a investir, admitiu que teve propostas do estrangeiro que não se concretizaram, falou com pragmatismo “dos jogadores que abdicam de tudo e tanto podem ganhar muito dinheiro como passar toda a carreira a receber 1.500 euros”, contou que tinha o nível I de treinador porque gosta de perceber o lado mais estratégico do futebol e revelou o sonho de chegar à Seleção. Não falou da possibilidade de poder ser o melhor marcador da Primeira Liga. E essa meta, mesmo que não fosse “uma meta” no seu horizonte, está a três jornadas de ser cumprida.

Marcou um golo do V. Guimarães, dois ao Rio Ave, um ao Desp. Aves e agora três ao P. Ferreira. Sete golos só em quatro jogos, que elevaram a conta pessoal para 17 golos, tantos como Carlos Vinícius e Pizzi. E os desta noite todos na primeira parte: logo em três minutos, na sequência de uma grande penalidade por falta de Oleg Reabciuk sobre si, inaugurou o marcador; pouco depois da meia hora, de novo de penálti, aumentou para 2-0 (34′); ainda antes do intervalo, conseguindo intercetar um passe mal feito de Pedrinho para o guarda-redes Ricardo Ribeiro, elevou para 3-0 (38′) e carimbou aquele que foi o primeiro hat-trick da carreira nos seniores.

O encontro que na teoria seria muito complicado para os agora comandados por Artur Jorge (que leva dois jogos e duas goleadas com um registo de 9-1 em golos) tornou-se fácil frente a um P. Ferreira que cometeu mais erros na primeira parte deste jogo do que em todos os encontros depois da retoma. Pepa ainda tentou dar a volta para pelo menos deixar uma imagem diferente, avançou com três substituições mas o 4-0 por Ricardo Horta logo a abrir a segunda parte acabou por matar em definitivo o encontro (47′), que se foi arrastando até final com oportunidades divididas entre as equipas e mais golos de Zé Uilton (78′) e Galeno (89′) que fecharam o resultado em 5-1. 

“Foi a primeira vez, já tinha muitos jogos a bisar. É bom, ainda por cima ganhámos com um resultado volumoso. Pensamento em ser o melhor marcador? Tem de existir mas é importante perceber que antes da candidatura a melhor marcador está a candidatura do Sp. Braga ao terceiro lugar. Se conseguir o terceiro lugar e ser o melhor marcador, melhor. Esperemos continuar assim e que o Sporting tenha um jogo menos bom. Vamos tentar fazer o nosso trabalho”, comentou Paulinho na flash interview da SportTV, lançando também a próxima jornada em que os leões, com três pontos de vantagem, deslocam-se ao Dragão para defrontar o FC Porto.