O Cazaquistão desmentiu, esta sexta-feira de manhã, a informação de que uma “pneumonia desconhecida” no país matava mais do que a Covid-19 conforme a China tinha alertado. A notícia tinha sido veiculada na quinta-feira pela embaixada chinesa, ao dizer que uma “pneumonia ainda sem causa conhecida”, com taxa de mortalidade superior à doença causada pelo novo coronavírus, estava a preocupar a comunidade científica na região.

Isto apesar de ainda não estar claro nem confirmado se a infeção é causada por um vírus relacionado com a SARS-CoV-2, uma vez que o Ministério da Saúde cazaque não inclui casos de pneumonia nas estatísticas do novo coronavírus, embora em muitos casos a pneumonia seja uma condição associada à infeção por Covid-19.

Na manhã desta sexta-feira, a autoridade de saúde do Cazaquistão avançou mesmo com um comunicado no Facebook, onde assume que as informações divulgadas pela embaixada chinesa “estão incorretas”.

Por outro lado, questionada pelo South China Morning Post, a Organização Mundial de Saúde (OMS) quis deixar claro que há uma ampla gama de explicações possíveis para a pneumonia, “das quais uma é a Covid-19, que está circular no Cazaquistão”. Além disso, acrescentou que as autoridades de saúde, só nos últimos sete dias, relataram mais de 10 mil casos de Covid-19. “Atualmente, estamos em contacto com as autoridades do Cazaquistão para entender a evolução da situação e fornecer apoio conforme necessário”.

As autoridades chinesas vão, no entanto, avançar com medidas para prevenir que a pneumonia se espalhe na China, uma vez que o território cazaque faz fronteira com a região autónoma de Xinjiang Uygur, no noroeste da China. “A embaixada chinesa no Cazaquistão pede aos cidadãos chineses para estarem cientes da situação e intensificar a prevenção de forma a reduzir os riscos de infeção”, indica o comunicado da embaixada, acrescentando que “a taxa de mortalidade desta doença local é superior à do novo coronavírus. Várias organizações, incluindo o departamento de saúde do país, estão a realizar pesquisas mas ainda não identificaram o vírus desta doença”.

Porém, como relata o South China Morning Post, o documento emitido pela embaixada não esclarece o que a leva a descrever a doença como “desconhecida” ou que informações possui sobre a pneumonia. Ainda segundo o jornal, os dados recolhidos pelas autoridades chineses baseiam-se em notícias da imprensa local, que dão conta de um aumento significativo de casos de pneumonia, desde meados de junho, nas províncias de Atyrau e Aktobe e na cidade de Shymkent. Segundo ainda a embaixada chinesa, houve quase 500 casos de pneumonia nos três locais, com mais de 30 pessoas em estado crítico.

Saule Kisikova, chefe do departamento de saúde da capital Nur-Sultan, confirmou à agência de notícias Kazinform que cerca de “300 pessoas diagnosticadas com a pneumonia são hospitalizadas todos os dias”.

Na quarta-feira, o Ministro da Saúde do Cazaquistão, Alexey Tsoy, citado pela Kazinform, reconheceu que o número de pacientes afetados pela pneumonia é 2 a 3 vezes maior do que os infetados com Covid-19. Durante a próxima semana, disse, serão publicados dados mais concretos relativos aos casos confirmados. Por agora, e de acordo com os números oficiais, que carecem de confirmação, o Cazaquistão já registou 1.772 mortes por pneumonia nos primeiros seis meses do ano, 628 das quais ocorreram em junho, incluindo alguns cidadãos chineses.

Já esta quinta feira, foi a vez do presidente Kassym-Jomart Tokayev falar ao país, tendo reconhecido que o Cazaquistão está a enfrentar uma segunda vaga da pandemia, associada a um aumento dos casos de pneumonia devido à “falta de cumprimento das medidas de quarentena, erros sistémicos das autoridades de saúde e à falta de urgência na tomada de decisões dos líderes locais”.

O Cazaquistão registou 51 059 casos confirmados de Covid-19, incluindo 264 mortes, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.”A situação de Covid-19 está sob controlo”, diz um comunicado enviado por uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores do Cazaquistão, ontem, ao media chinês  Global Times. Porém, a declaração do ministério não respondeu a perguntas acerca do alerta da embaixada chinesa sobre a “pneumonia desconhecida”.